Periferia do Vale do Gravataí se levanta contra o governo e o patrão

20304_1010062269005331_5515766845836631583_nA última semana foi marcada por focos de resistência que ganharam expressão local e estadual lutando contra o governo municipal e a máfia do transporte metropolitano. Nos referimos aqui, principalmente, a luta travada pela periferia em oposição ao fechamento arbitrário de Unidades Básicas de Saúde e ao piquete promovido na zona norte da cidade contra a empresa laranja de transporte metropolitano, a Transcal, que opera há alguns anos com nova razão social da mesma máfia que comanda o serviço há décadas na região do Vale do Gravataí.

No caso de Cachoeirinha, é importante registrar que em ambos os processos de luta popular, além da presença libertária, operam interesses escusos de forças políticas que são base de apoio do governo federal. Citamos aqui principalmente o PT e o PCdoB que almejam aprofundar o desgaste político do PSB que há quase uma década comanda a Prefeitura desde o racha do “irmão bastardo” Stédile, sendo Cachoeirinha a maior base do partido no Estado do RS. No entanto, sempre é bom ressaltar que, independente do jogo partidário, a luta popular e as suas respectivas pautas são completamente legítimas, embora a coligação que governa o município tente deslegitimar toda e qualquer resistência dos de baixo.

O desafio que sempre esteve na ordem do dia é o de garantir, além da independência de classe, a permanência e coordenação ao longo do tempo dessas expressões de resistência do povo em luta na região, pois há inúmeros processos que resultaram dispersos após a conquista da necessidade imediata. Isso sem falar na fragmentação por força da cooptação e da intimidação.

Entre esses processos de resistência temos exemplos recentes que vão desde a vitoriosa luta contra a privatização da água em 2010 reunindo diversos sujeitos e tendo na comunicação popular o catalisador da revolta; as ações diretas com algumas vitórias pontuais da Frente de Luta pelo Transporte Público nos anos de 2012, 2013 e 2014; a conquista da moradia pela comunidade Arinos de Gravataí em 2014 e as lutas pela água de diversas comunidades; a resistência dos trabalhadores municipários de Cachoeirinha por meio do sindicato da categoria, sendo a oposição política de mais expressão e estabilidade ao longo dos últimos sete anos.

Porém, longe de simplesmente contar histórias onde o anarquismo operou como motor desses processos de luta na região, queremos fazer memória dessa resistência para que, a partir da experiência política acumulada, possamos superar os limites que foram comuns a essas lutas. Até mesmo porque na atual conjuntura onde partidos com origem de esquerda e hoje estão no governo federal aplicando as medidas de ajuste fiscal, não representam alternativa de poder real para solucionar as demandas dos de baixo, pois o aparente engajamento e dedicação militante tem prazo de validade até a disputa eleitoral de 2016. Portanto, fazemos essa reflexão e análise para debate junto as companheiras e companheiros que constroem conosco no dia a dia a necessidade de engajamento para mudança e transformação desse sistema de dominação que em nossa região opera com algumas características singulares.

A luta da saúde é uma pauta comum dos usuários e trabalhadores do ramo

Nas últimas semanas em Cachoeirinha, a pauta da saúde tem sido protagonizada pela periferia que luta contra o fechamento e a reestruturação arbitrária das Unidades Básicas. A ação direta realizada em frente è prefeitura municipal e que ocupou por iniciativa popular o gabinete do chefe do poder executivo pra fazer pressão, rendeu no dia seguinte a promessa do Secretário de Saúde de manutenção das atividades dos postos sem cessar o atendimento. Vitória parcial do povo organizado. No entanto, o desafio neste momento é colocar em movimento usuários e trabalhadores do ramo, pois as ações antipopulares do governo municipal são apenas parte da estratégia de tratar o serviço de saúde como um negócio privado. Isso irá afetar tanto a comunidade quanto os trabalhadores do ramo, pois a lógica a ser implantada é a da meritocracia, do fazer mais com menos recursos e impor ao trabalhador a disputa competitiva sob o engodo da premiação por produtividade. Portanto, é urgente e necessário unificar os interesses dos trabalhadores e usuários numa perspectiva classista.

A luta pelo transporte público é das comunidades, dos estudantes e dos rodoviários

O piquete da última sexta-feira em frente à garagem da Transcal durou bravamente mais de cinco horas, inviabilizou a circulação dos ônibus na região metropolitana na região e ganhou repercussão em todo o Estado do RS. Foi uma experiência ímpar de enfrentamento direto com a patronal do transporte, tendo a comunidade como sujeito protagonista desse processo que enfrentou sem medo a intimidação truculenta da empresa e da Brigada Militar. Na pauta de reivindicações, para além da revolta em virtude da redução dos horários e mudança de itinerário de algumas linhas, incorporaram-se solidariamente demandas dos trabalhadores rodoviários que não são defendidas pelo sindicato metropolitano, tão pelego e mafioso quanto o da capital. Como conquista imediata obteve-se o retorno do itinerário comum da linha que circula pelo bairro Granja Esperança naquele mesmo dia. As demais pautas ficaram na promessa de serem atendidas pela empresa até a próxima semana, mas todos cientes da necessidade de manter a mobilização permanente para pressionar a Transcal no cumprimento dessas demandas. O cenário deste próximo mês torna imprescindível a necessidade de unificar a luta pelo transporte público desde as comunidades, dos estudantes e dos trabalhadores rodoviários, pois está anunciado o aumento das passagens de ônibus concomitante ao dissídio da categoria, tanto a nível municipal, quanto na região metropolitana. Sabemos que a empresa irá tentar justificar o aumento jogando trabalhadores contra usuários, portanto, essa experiência recente do piquete abre um precedente na luta pelo transporte público de aliança entre os distintos segmentos e que deve ser mantida a todo o custo.

A luta pela água é contra a privatização do saneamento

Como parte das lutas na região, as diversas mobilizações da comunidade no ano de 2014 em virtude da falta da água expuseram a precariedade dos serviços prestados pela CORSAN. Estivemos dentro desse processo, porém com uma linha firme de defesa do caráter público do serviço e contra a privatização: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=245

Naquela circunstância o prefeito Marco Alba já insinuava o rompimento do contrato com a CORSAN para abertura de licitação e privatização do saneamento. Nessa semana, porém, num cenário distinto em relação ao do ano passado onde vivemos um considerável descenso das diversas lutas na cidade, o prefeito do PMDB anunciou que fará o rompimento do contrato com a CORSAN. Está na ordem do dia, portanto, o movimento popular e sindical tomar parte dessa pauta sob o risco de sofrermos uma enorme derrota enquanto classe.

Potencializar a luta sindical para além do corporativismo e coordenar as lutas na região para fortalecer o poder dos de baixo

Diante do contexto de mobilizações nacionais contra as terceirizações (PL 4330) e o ajuste fiscal (MPs 664 e 665), que flexibiliza diversos direitos, como o seguro desemprego, a atual conjuntura torna-se ímpar para que as mobilizações locais ganhem amplitude e repercussão ao mesmo tempo em que serão fortalecidas. Nossa modesta força militante está atuante nesses processos de luta com uma linha e conduta coerente de fortalecimento do poder de baixo. Não trocamos nossa independência política por cargos e tampouco nos engajamos nas lutas com pretensões políticas-eleitorais. Nossa estratégia de mudança passa pela construção do Poder Popular que vem sendo gestado e criado a partir das experiências concretas acumuladas ao longo dos 20 anos que completa nossa organização. Está na hora de coordenamos as experiências de luta na região com critérios de independência, solidariedade de classe e protagonismo de base.

Todos à luta no dia 29 de Maio, contra a terceirização do PL 4330 e o ajuste fiscal das MPs 664 e 665!
Por uma coordenação das lutas na região para fecharmos o punho contra o inimigo de classe e superarmos a fragmentação!
Que a ofensa feita a um seja a luta de todos!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG – Organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
20 anos (1995-2015)
24 de Maio de 2015

Adesão da FAG/CAB ao Ato de 1º de Maio da fAu

Salud hermanos y hermanas

Salud 1° de Mayo de los trabajadores del mundo

342970Nos encuentra de nuevo el acto de FAU, donde tomamos parte hace muchos años y brindamos resistencia y solidaridad entre nuestras luchas, palco para hacer com el corazón lleno, hincapie de nuestras convicciones libertarias del socialismo. Unidos a sus voces, venimos reclamar nuestros martires, de los libertarios y de toda la clase obrera internacional y junto de ellos a todos y todas compañeros reprimidos, juzgados, executados, desaparecidos por la infamia burguesa. Tods que lucharan y luchan con sus vidas y sus sueños, como decimos nosotros, los que no estan muertos porque peleamos y vamos seguir peleando, sin olvido y ni perdón a los verdugos.

El proceso social-histórico que estamos viviendo en Brasil brinda las coyunturas más peleadas que ha vivido nuestra generación, la generación del  anarquismo organizado brasilero que empieza por la segunda mitad de los 90. Nosotros construyemos organización política y reposicionamos la ideologia libertaria (com mucha modestia y llenos de limites) en las luchas sociales deste largo y ancho país entre el auge y la desgracia de un imaginario de isquierda que galvanizo una torrente de esperanzas de la gente.

Desde 2013 en el marco de las jornadas de junio va generandose una dinamica de luchas, rebeldias, juegos de poder, fragmentaciones y polarizaciones de arriba y de abajo, etc..  En el 2013 movilizaciones de masa donde tomam iniciativa grupos de isquierda independientes del gobierno haciendo causa con el tema muy sensible a los pobres del boleto del bus. Un punto de partida que hizo contexto de una profusión de temas y reclamos de la gente, de las calles. En 2014 por varias partes, pero con potencia sobretudo en el grueso sector de los trabajadores precarios y tercerizados, la emergencia de “huelgas selvajes” que avanzaran por arriba de los sindicatos carneros y la patronal. En 2015, al lado de una deterioración cada vez más aguda del sistema político y los partidos del gobierno, de ajuste fiscal sobre derechos laborales y servicios publicos, subida del costo de vida, viene paradoxalmente una reacción de masas capitalizada por derecha, como no se habia visto desde las previas del golpe de 64. Marcando rechazo a los politicos, alzando el antipetismo o reclamando el cambio de presidente, secundada por grupos perifericos ultra-reacionarios.

En los ultimos meses, los sindicatos han convocado resistencia al proyecto anti-obrero de las tercerizaciones para actividades-fin de las empresas, muy poco incorporado por las bases del mov. de los trabajadores, manejado sobretodo por el cima de las burocracias y por las tacticas de presión indirectas. Una ofensiva patronal sin precedentes esta en tramite en el congreso nacional brasilero y ha suscitado paros y movilizaciones gremiales em todo pais. Los industriales intentam defender sus ganancias en tiempos recesivos con brutales recortes en los derechos laborales. La tercerización, de ultima es la antiutopia de las “corporaciones de un solo”, tecnologias de control que sujetan los trabajadores a la vida precaria, jornadas estafantes, sueldos de mierda, nada de unión sindical y ni un solo derecho a reclamar de la patronal. La carne de cañon del ultrajante capitalismo flexible.

Bueno, y repasando brevemente esos sucesos, parece que toda una experiencia de luchas y esperanzas esta tocando el techo. Que determinadas formas de hacer política que embarcó una parte importante de la isquierda esta agotandose, em vias de saturación, produzindo inquietudes, desconfortos, recalques también por cierto. Todo parece indicar que estamos dando vuelta a una pagina de la historia recente del pais, proceso que no esta consumado todavia, pero que abre un escenario de indeterminación a todos.

La estabilidad de los ultimos veinte años, como discurso productor de sentido a las relaciones del sujeto con el gobierno y las instituciones, encuanto mecanismos de control de la vida social, pasa por una presión desestabilizadora. El derrotero del proyecto simbolizado por Lula y el PT ahogó este modelo. En principio fue refresco, factor operativo de un pacto de classes que articuló las dos puntas de la piramide social. Agora es el detonante. Que desmonta las expectativas que veniam por isquierda, e al integrarse a las estruturas del poder, lleva agua al molino de la derecha.

Lãs huellas culturales-ideologicas de todo esto proceso que muy brevemente apuntamos no es facil de medir, tiene mucha capilaridad. Muchos militantes del trabajo de base achicaran valores, alzaranse en el puesto de instituciones, converteranse ratos de aparato. Cuando mucho, los resistentes son solenemente ignorados e substituyedos por técnicos de gestión o funcionarios burocraticos de la maquina. Sindicatos y movimientos sociales cambiaran la independencia de la clase trabajadora por encargos y ministérios, hicieranse gestores de fondos de pensión, asesores corporativos e lineas auxiliares del gobiernismo.

El suporte de las ideas y los movimientos de la derecha correspondem, en buena dosis, a eso proceso histórico de desarticulación de fuerzas sociales que amargó el campo clasista. La colaboración de clases, la burocracia y el gobiernismo desarmaram las organizaciones sindicales y populares, dividiram las luchas y as engancharan al estado. Produziran en sus formas cotidianas una ideologia que reproduz las practicas de las instituciones burguesas, que hace del pueblo un sujeto que espera al que viene de arriba. Asisten de uns años pra cá el rebento de una nova generación, que no hace referencia en las organizaciones tradicionales, que no vivió aquellos sueños y esperanzas, que toma un lugar en las luchas y encarna los dramas del país en pleno gobierno del PT.

Nosotros no tenemos dudas que las jornadas de junio de 2013 pusieran la insatisfación social en las calles, y las huelgas e solidaridades que le sucederan deram lugar a improntas rebeldes con formaciones ideologicas que son irredutibles a las peleas de poder que hacen las elites dirigentes. Que estan en relieve praticas sociales de protesta y lucha que no confian en las reglas de las trampas oligarquicas, los lobis patronales, las transas entre partidos de la democracia burguesa, los variados expedientes de la normatización de la politica. Que tenemos un puesto en las calles, en las huelgas y ocupaciones para construyer con las organizaciones de base nucleos fuertes de poder popular.  Y como siempre predicamos, de abajo parriba, com federalismo y democracia de base criar fuerza social para cambios reales, que socializen la riqueza y el poder.

Antes que termine, no podemos dejar de hacer referencia al conflicto de los trabajadores de la educación em Paraná, que há generado comoción em todo el pais por la represión feroz que há desatado el gobierno del estado. Despues de um huelga de 29 dias al comienzo del año los trabajadores volvieran al paro desde el lunes ultimo a defenderse de los ataques a su jubilación. El gobierno de Beto Richa armo uma operación de guerra em contra estos educadores que no se resignam, lastimando más de 200 cros heridos por la policia y haciendo detenidos. Aqui también marcamos nuestra solidaridad.

Fuerte y solidario abrazo.

Náo tá morto quem peleia!

Arriba los que Luchan!

 

Ato Anarquista de 1º de Maio

20150503201618Realizamos no dia 30/04 nosso Ato Anarquista de 1º de Maio no Centro de Cultura Libertária da Azenha, CCL. Um momento de socializar linhas de análise da conjuntura e das lutas sindicais atuais, de fazer memória a data e de confraternizar com companheiros e companheiras de luta.

Abaixo compartilhamos a adesão da nossa irmã Federação Anarquista Uruguaia – FAU, o discurso de nossa Organização lido no Ato e algumas fotos.

Viva o 1º de Maio!

Viva a FAG e seus 20 anos!

Viva a CAB!

Viva a Anarquia!

Compañeras y compañeros de la FAG

Nosotros que somos su organización Hermana, la federación Anarquista uruguaya queremos dejarles un fuerte abrazo libertario de cara a las jornadas de lucha para el 1° de mayo. Una data mas que importante para nosotros, por lo histórico y político de aquellos hechos y por la continuidad ideológica de nuestras luchas obreras y populares, y nuestra cultura anarquista, libertaria.

20150503201739 (1)Vinieron muchos después, muchos y muchas luchadoras y luchadores, todos humildes y modestos en su aporte que ha significado el sostenimiento de una ideología y cultura de práctica, acción, resistencia. Ha sido la lucha desde abajo, con los de abajo lo que nos ha caracterizado. Y no nos lo han contado como una novela, es porque somos de abajo y sabemos que las conquistas han sido con sangre y lucha, que decimos que el anarquismo, el socialismo, la cultura libertaria en sí ha sido obra y creación de los pueblos oprimidos. No ha sido obra de laboratorio ni creación científica. Y allí también lo es. Año 2013 que marcó y viene definiendo una nueva etapa para nuestros hermanos de la FAG y la CAB. Sostenido en 2014, y se viene el 2015, y el 2016. Con los 20 años de la FAG y los 60 de la FAU!

Entonces va nuestro saludo solidario, va nuestro abrazo de resistencia y va nuestro puño en alto, nuestro pulso furioso señalando los 10 años del asesinato del compañero Nicolas Neira Alvarez de Colombia a manos de la policía asesina y el aparato represivo del estado, y la brutal represión, masacre que están viviendo los trabajadores y pueblo movilizado en Curitiba. Toda nuestra solidaridad para resistir esa bestial masacre en aquel pueblo Paranaense, sin dudas, sin titubeos. Con los 200 heridos y con todo el pueblo que está creciendo en organización y resistencia.

 Por un 1° de mayo clasista!

Toda la solidaridad con las luchas de Curitiba!

Arriba los 20 años de nuestra Hermana Federación Anarquista Gaúcha!

Arriba el poder Popular!!

Arriba los que luchan!!

federación Anarquista urugaya

Contra a trapaça político burguesa e o arrocho da vida dos trabalhadores

20150503201600O mal estar corre solto nas ruas do país. A recessão econômica e as amargas medidas do governo Dilma/PT a nível federal e Sartori/PMDB a nível estadual buscam salvar os lucros de banqueiros e empresários, cortando direitos, investimentos sociais e aumentando o custo de vida sob o farsante argumento de que o momento é de “sacrifício para todos”. Aliado a isso tudo, o cheiro podre da corrupção sistêmica impregnado no ar, em que se articula uma complexa constelação de interesses e “escândalos” que envolvem desde os partidos da coalizão governista como aqueles da oposição de direita, grandes empresas e banqueiros e os grandes conglomerados de comunicação.

Vida cara e precária. Arrocho nos trabalhadores.

A promessa do capitalismo brasileiro, que vinha crescendo pela mão de uma desapropriação violenta dos bens comuns, pela dominação dos capitais do agronegócio, mineradoras e empreiteiras, quebra a cara com a queda do preço das “commodities” e da desaceleração do capitalismo chinês. As idéias triunfalistas de um país de classe média, puxado pelo consumo e o endividamento de massas, pelos empregos precários e a inclusão dos pobres como sujeito flexível do mercado, mostram sua fragilidade e já entram em desencanto em amplas camadas de trabalhadores do país.

A classe operária vive de novo as demissões na indústria e na construção civil. Só no ramo de autopeças a patronal prega mais uma chantagem, exigindo infinitos incentivos fiscais e flexibilização de direitos, ameaçando em caso contrário com 30 mil demissões ao longo do ano. A falta de água e luz cria calamidade nas periferias urbanas e o preço das contas de energia, da alimentação e dos serviços aumentam mais que a renda dos trabalhadores. A mudança de regras do seguro-desemprego e do acesso a benefícios previdenciários (MP´s 664 e 665) corta direitos e coloca sobretudo uma classe trabalhadora jovem e localizada em empregos precários em uma situação de maior vulnerabilidade e risco.

Os impostos castigam o consumo dos setores populares e médios, enquanto aliviam os ricos, donos de empresas e grandes fortunas. Em contrapartida a saúde e a educação pública seguem sucateadas, o transporte coletivo é péssimo, a justiça criminaliza a pobreza, a polícia é racista e mortal nas vilas, favelas e subúrbios e o encarceramento em massa de pobres e negros entra em uma nova fase com a aprovação da redução da maioridade penal.

Os precarizados, a massa dos trabalhadores brasileiros, alçados como modelo do regime de trabalho flexível e super-explorador, sujeitos de uma rotina de pesados sacrifícios, dão sinais de cansaço e irritação. A patronal, não satisfeita com os inúmeros incentivos vindos dos governos, quer mais trabalho precário e pressiona o governo pela lei de terceirizações.

A insatisfação cresce por todos os lados e chega a transbordar para além das velhas estruturas, normas e regras que o sistema oferece para sua canalização. Insatisfação representada por um sentimento difuso que, entre outras coisas, expressa rebeldias que vem de baixo.

Terceirização: o grande ápice de um processo que leva 12 anos.  

20150503201110A ofensiva patronal sobre nossa classe atingiu seu ápice nas últimas semanas com a aprovação do PL 4330, a lei das terceirizações, na Câmara de Deputados que agora se direciona para votação no Senado para então ser sancionada ou vetada pela presidente Dilma.

Ancorados no embuste de “regulamentação dos trabalhadores terceirizados” e “modernização das relações trabalhistas”, a patronal em aliança com a corrupta e mafiosa burocracia da Força Sindical desdobra uma ardilosa operação política que visa, em realidade, fazer das terceirizações o novo paradigma das relações de emprego no país, sepultando de uma vez por todas a garantia de pleno emprego com direitos. Ao liberar a terceirização das “atividades-fim” esse modelo de precarização do trabalho afirma sua vitória política que vem sendo construída ao longo dos últimos anos, afirmando-se por sua vez, enquanto a maior derrota dos de baixo desde o golpe de Estado de 1964.

Ainda em 2003, o início do primeiro mandato de Lula apontava o verdadeiro projeto político em curso com a aprovação da reforma da previdência, então uma das principais ambições tucanas. A mesma reforma não teria sido possível sem a velha cantilena da “modernização” a qual não deixou de lado o covarde jogo de desenvolver um discurso que buscava opor trabalhadores do funcionalismo público com trabalhadores do setor privado, apresentando a “inevitável necessidade de podar os privilégios” dos primeiros para que pudessem ser garantidos os direitos dos segundos.

Desde então, os 12 anos de pacto social petista antes de terem sido capazes de reduzir os índices de desemprego, foram os anos de uma discreta e eficaz construção de um consenso social em torno da necessidade de precarizar as relações de trabalho. A grande massa de novos trabalhadores formais, em sua grande maioria jovens, que deixaram a incerteza do desemprego dos odiosos anos tucanos foi também aquela que se formou em condições de trabalho precário e sem direitos. Telemarketing, construção civil e terceirizações diversas foram o grande pulmão que alavancou os empregos nestes anos, colocando essa nova geração de trabalhadores em condições deploráveis de exploração, repressão sindical, excesso de jornada e ritmo de trabalho, salários rebaixados, acidentes e mortes, dentre outras mazelas.

20150503201655A fragmentação da classe trabalhadora e seu contínuo enfraquecimento organizativo foi, por sua vez, a principal trilha percorrida pelo projeto democrático popular encabeçado pelo PT desde meados da década de 1980. Para alcançar o executivo foi necessário a “acumulação de forças” nas estruturas políticas do Estado enraizando ai uma cultura política em que antes da luta autônoma de classe se ambicionava a aquisição de cargos no legislativo e nos executivos estaduais e municipais. Com a chegada do PT ao executivo esse processo deu um salto de qualidade e levou as grandes organizações de classe a uma simbiose com o Estado, sendo fiéis escudeiros do governo de turno e afirmando-se enquanto um grande estorvo à organização dos de baixo. Vista grossa à reforma da previdência e assinatura de acordos que flexibilizam direitos, rebaixam salários e demitem, foram e seguem sendo recursos cotidianos por parte da CUT, para citar um dos mais importantes exemplos.

Após 12 anos à frente da gestão do Estado, aproximadamente 30 anos de progressivo alinhamento ao mesmo e enfraquecimento da capacidade organizativa dos de baixo por parte do projeto encabeçado pelo PT, a patronal se viu em uma situação favorável para convocar sua bancada e seus aparelhos ideológicos, os grandes oligopólios da comunicação e seu Instituto Millenium, para desengavetar o Pl 4330 de autoria do industrial da alimentação e ex deputado Carlos Mabel/PL.

Ainda que tenham se colocado contrários a lei das terceirizações, o PT e as centrais governistas (CUT e CTB), que em realidade brigam pela regulamentação da terceirização às atividades meio e não a sua extinção, condicionaram o essencial de suas medidas em discursos parlamentares, promovendo poucas e limitadas iniciativas de mobilização. Medidas como a vã perspectiva de sensibilizar deputados, autoridades e a presidente Dilma, tem dado o tom da pretensa resistência que este campo pretende oferecer ao monstro por ele gestado.

A lei das terceirizações chega ao senado com relativo enfraquecimento dado a repercussão negativa de seu verdadeiro teor, mas, por sua vez, com importante capacidade de se efetivar dada a ausência de uma real capacidade organizativa das organizações de base em dar uma resposta concreta no curto prazo. Em que pese esse fator, as muitas lutas que tem se desenvolvido mostram uma real capacidade de acumularmos forças e tencionar na perspectiva de virar o jogo. Da greve dos operários de Jirau à exemplar resistência dos trabalhadores em educação no Paraná, passando pelas jornadas de junho de 2013, fica à todos nós a mensagem de que é nas bases, buscando fomentar sua organização e radicalização que podemos acumular forças e reorganizar o tecido social para dar batalha nos locais de trabalho, moradia e estudo para resistir ao pacto social que hora se degenera a aberta austeridade.

É preciso cerrar o punho para dar batalha intransigente a ofensiva dos de cima, estimulando desde cada local de trabalho, estudo e moradia iniciativas para debater e se mobilizar contra a redução da maioridade penal, o ajuste fiscal do governo dos governos estaduais e federal e o projeto das terceirizações em curso, não alimentando nenhuma sorte de ilusões de que as grandes direções sindicais possam apresentar medidas que sejam capazes de frear essa onda. Só com uma forte explosão de descontentamento e fúria popular, que fuja do controle das burocracias sindicais pelegas, mas também de toda sorte de burocracia radical que reproduz os vícios burocráticos de condicionar ao seu próprio desenvolvimento político partidário, e só com protagonismo de base é que conseguiremos apresentar uma real resistência a voracidade patronal rumo à construção de uma greve geral.

Em memória aos mártires de Chicago, continuar a luta por direitos e pela transformação social!

Em solidariedade à resistência dos trabalhadores do Paraná.

Por um 1º de Maio contra as burocracias e de combate aos ataques dos governos e dos patrões!

Criar um Povo Forte!

Pelo Socialismo e pela Liberdade, Viva a Anarquia!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG/CAB

20 anos!!!