Nota de Solidariedade da Coordenação Anarquista Brasileira à luta em Joinville

cabpeq_2De um lado, as empresas de transporte coletivo privado, suas catracas, seus seguranças privados. Mais polícia militar com seus homens (sim, todos homens), sua cavalaria, seu helicóptero, suas armas. Não esquecemos da prefeitura e seus parceiros da casa vizinha, a câmara de vereadores. Do outro lado, as trabalhadoras e trabalhadores, estudantes, desempregadas e desempregados, entre tantos outros que não detém o poder para gerir livremente suas vidas. Parte dessas se encontram diariamente no transporte coletivo, para ir e vir, outras tantas, não conseguem pagar para pela catraca passar.

Os anarquistas, estão de um lado, o lado de seus companheiros de classe, o lado dos de baixo. Diariamente, pegando o “coletivo”, o “busão”, o “latão”, o “zarcão”. Lado a lado, com os seus, as suas. No final da tarde, dessas tardes que voltar para casa ficou mais caro, faixas se posicionam, bandeiras começam a flamejar, vozes a gritar. Do outro lado, escudos, armas, cavalos, e um helicóptero se posicionam. Os anarquistas, estão de um lado, do lado do povo organizado, seu único lado possível, após centenas de anos de história.

Em Joinville/SC, a militância integrante do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), tem uma atuação constante e enérgica no combate a máfia do transporte coletivo representando pelas empresas Gidion e Transtusa, que operam há 50 anos na ilegalidade com o aval dos políticos da classe dominante, do PSDB, PMDB, PT e afins, que ocuparam a Prefeitura Municipal de Joinville. Atuando e se organizando junto ao coletivo local do Movimento Passe Livre ou na Frente de Luta pelo Transporte Público, ao povo organizado.

Na quarta-feira (22/01/2014), dois militantes do CABN acompanhado de outro integrante da Frente de Luta pelo Transporte Público, foram presos após voltarem de a manifestação que exigia a revogação do aumento da tarifa e pela criação de uma empresa pública com tarifa zero para toda população.

A prisão ocorreu por meio de uma emboscada da Polícia Militar de Santa Catarina, onde o Capitão Venera, responsável pela operação, agiu para atender as necessidades das empresas privadas de transporte, colocando mais seis viaturas policiais, cerca de 20 homens fardados e fortemente armados. Os nossos companheiros foram arrastados pela via pública, sofreram com cacetadas e pisaram na cabeça de um deles.

O peso da fúria policial é reflexo do quanto a luta organizada demonstra efetiva combatividade contra o monopólio do transporte coletivo e coloca em risco os interesses da classe política dominante. Por isso, não vamos silenciar em nenhum momento na denúncia e no vigor da luta. Como já lembraram os companheiros anarquistas, “a solidariedade é mais que palavras”. Estamos juntos hoje e amanhã, firmes e dispostos a vencer o capitalismo e violência policial. Não fomos os primeiros, não seremos os últimos.

Pelo fim da polícia militar!
Protesto não é crime!
Contra crimanilização dos movimentos sociais!
Fora Aumento! Fora Gidion e Transtusa!
Aumento Nunca mais!
Por uma cidade sem catracas!

Coordenação Anarquista Brasileira – CAB
Brasil, 26 de janeiro de 2014

…PELA FORÇA DAS RUAS… (Nova publicação da FAG)

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Divulgamos a apresentação da nova publicação da Federação Anarquista Gaúcha – FAG “…Pela força das ruas…”.

O material pode ser adquirido diretamente com nossa militância no valor R$5,00. Companheir@s de outras cidades/estados que tenham interesse podem entrar em contato através do e-mail fagcomunicacao@gmail.com

Apresentação

O ano de 2013 marcou uma considerável transformação na conjuntura brasileira. As massivas mobilizações de rua que varreram o país, inicialmente contra os reincidentes aumentos abusivos nas tarifas de ônibus e pronto contra os absurdos gastos da Copa do Mundo, em defesa de melhorias nos serviços públicos como saúde e educação, deram o alerta de que uma nova etapa se iniciava para as lutas sociais.

Enquanto organização política, desde o local onde nos tocou se organizar e lutar, buscamos analisar esse processo no calor dos acontecimentos, não como analistas e especialistas, mas sim enquanto setor imerso desde o princípio na organização e luta que se desdobrava ainda em princípios do ano. Não nos furtamos de nos arriscar em apontar cenários e formular linhas de atuação, baseando-nos no estágio onde nos encontramos em termos de organização e capacidade de incidência enquanto setores populares e de esquerda em geral, apontando modestamente para onde pretendemos chegar com esse processo.

Desde o mês de abril, quando a prefeitura de Porto Alegre anunciava o aumento e a resposta do Bloco de Lutas era imediata e enérgica, estava claro para nós que a luta nos traria novidades positivas, superando o isolamento que até então enfrentávamos ano após ano. Tampouco, imaginávamos a dimensão do que estava por vir!

A dinâmica com que se desenvolvia a organicidade do Bloco e o caráter de ação direta que ia se firmando nas lutas em curso, nos colocou o desafio de além de concentrar nossa militância no batente do dia-a-dia, da luta e da árdua tarefa de sua organização, a tarefa de analisar e aportar perspectivas dentro de nossa linha socialista, libertária e anti-burocrática. Tarefa essa que não poderia sucumbir na simplicidade, que por vezes substitui a política pelo misticismo de gritar “Viva!” a tudo o que aparece no “andar da carruagem”.

Analisar para apontar perspectivas no sentido de avançar o potencial das lutas, sem puxar o freio em seu caráter combativo mas também reconhecendo suas limitações, refletindo a respeito das mesmas e apontando perspectivas para superá-las foi o desafio que assumimos enquanto organização política, anarquista e de intenção revolucionária, enquanto partido que somos.

Não tivemos o fôlego de desenvolver em torno de todos os problemas e possibilidades que se abriram nesse rico processo que se iniciou em junho. Tampouco esta em nossas pretensões esgotar o debate(e desconfiamos muito de quem de forma soberba se arroga a tal autoridade), nosso principal desafio foi e seguirá sendo estar no dia-a-dia da organização da luta, no paciente e por vezes invisível trabalho de base.

É a partir dessas experiências, no dia-a-dia de nossas organizações de base, na ação direta contra os de cima, em meio ao gás lacrimogêneo, as bombas, balas de borracha, na resistência contra as prisões e a judicialização da luta que vamos formulando nossa experiência e aportando um programa de intenção revolucionária que tenha a capacidade de analisar a realidade com o rigor que exige uma luta “encarniçada” contra um inimigo demasiadamente bem armado: política, ideológica, econômica e militarmente. Uma luta que não termina logo ali!

Apresentamos ao leitor nessa brochura o conjunto das análises que estivemos difundindo no calor da luta ao longo do processo que antecede e sucede as jornadas de junho. Entre essa conjuntura especial, tomamos a liberdade de publicar junto dois comunicados que tratam das lutas de resistência dos pobres do campo, da questão indígena e quilombola que esteve durante todo esse tempo peleando forte contra o agronegócio capitalista e o atropelo desenvolvimentista. A maior parte das análises foram difundidas a partir de nosso boletim informativo, Opinião Anarquista e outras difundidas virtualmente. O conjunto das análises aqui publicadas, entre elas aquelas que sofreram algum corte, estão disponíveis no blog do Ateneu Libertário A batalha da Várzea: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/ .

Boa leitura!
Comissão de Publicações
FAG