Nosso posicionamento sobre as eleições do DCE da UFRGS

Resguardar o DCE enquanto espaço organizativo!

Ao longo do último mês o movimento estudantil da UFRGS vem passando por seu tradicional processo eleitoral para o Diretório Central dos Estudantes, o DCE, processo este que entra em seus últimos dias com o início do pleito no dia de hoje, indo até o dia 21. Dada a ausência de uma militância nos quadros da UFRGS e um maior envolvimento em uma série de outras atividades, como a sequência das instâncias organizativas e atividades do Bloco de Lutas e os trabalhos de nosso congresso, iniciados nas primeiras semanas deste mês, infelizmente não conseguimos acompanhar com a devida atenção o presente processo. Dada a reta final e disputa que se acirra nesse momento optamos por manifestar nossa opinião e emitir nosso apoio crítico à Chapa 1, composta por parte da militância do Bloco de Lutas.

Afirmamos este apoio crítico por entendermos que existem uma série de problemas de ordem burocrática que se desenvolveram ao longo das últimas duas gestões do DCE e que pouco se tem trabalhado concretamente na perspectiva de superá-los. Problemas como a ausência de um metódico trabalho de base nos cursos em detrimento da superestimação de uma agitação em torno de palavras de ordem e a centralização de importantes decisões em torno de correntes majoritárias na composição da diretoria. Tal centralização levou a atitudes lamentáveis como a impressão de um adesivo contra a homofobia com a foto de um conhecido militante em uma clara manobra personalista que visa criar um ambiente favorável a uma candidatura. Subtrai-se assim a possibilidade de se acumular em importantes lutas, como a luta contra a homofobia, algo que em nossa opinião deve ser construído pelo conjunto d@s estudantes e não a partir de um indivíduo, de um suposto “grande líder”.

No entanto, apesar dos problemas assinalados, acreditamos que o que está em jogo atualmente é a defesa do DCE enquanto uma instância organizativa, de discussões e disputa política no seio do movimento estudantil da UFRGS. Apesar das claras e profundas divergências em torno de concepção e método de luta e organização que temos com as principais correntes que hoje constroem a Chapa 1, acreditamos que ela seja hoje a única capaz de manter, minimamente, o DCE da UFRGS enquanto importante espaço de organização, reflexão e disputa política para o movimento estudantil.

Afirmamos essa “contradição” por entender que hoje a disputa central pelo DCE se dá contra dois dos principais inimigos que estivemos enfrentando ao longo das lutas iniciadas no início do ano em nossa cidade. As chapas que hoje, a partir de um jogo marqueteiro em materiais de campanha luxuosos (sabe-se lá financiados por quem), ostentam as demagógicas chamadas “O DCE com a tua cara” e “Nosso partido é o estudante” são as mesmas que estiveram conspirando ativamente contra as lutas impulsionadas pelo Bloco, seja sentando com o prefeito Fortunati para uma falaciosa negociação em torno das demandas de um movimento do qual nunca fizeram parte, ou até mesmo criminalizando nossa militância de forma recorrente, apresentando-nos como “Bandidos da quadrilha Bloco de Lutas” em seus espaços virtuais.

Tal atitude não nos impressiona, tendo em vista que tais grupos se encontram hoje à frente das falidas UNE e UEE, convertidas em grandes festas “rave”, onde o debate e a formulação política já chegam prontas dos gabinetes de ministros e dão lugar a grandes festas despolitizadas. Por um lado, temos o caricato neoliberal Movimento Estudantil Liberdade, o MEL, que esteve à frente do DCE há 3 anos atrás, convertendo a entidade ao triste papel de “Office boy” da reitoria e seus projetos mercantis. Muitos desses “líderes bem qualificados” aparecem publicamente em espaços do Instituto Millenium, a tal “confraria liberal” que visa desenvolver a “economia de mercado” como grande avanço da “liberdade” e que tem entre seus principais organizadores o grupo Abril (editor da revista Veja), a RBS e figuras arqui-reacionárias como Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo.

Em que pese os inúmeros vícios presentes hoje no interior do DCE, tivemos esta entidade contribuindo de forma clara com a organização do Bloco de Lutas, aportando sua contribuição na massificação desse importante e histórico movimento que se desenvolveu em nossa cidade e tanto influenciou outras cidades em todo o país. É por isso, por resguardar um espaço de organização e diálogo do movimento estudantil e não permitir que este se transforme em uma grande feste despolitizada, com ridículos “telões para assistir os jogos da Copa do Mundo”, que manifestamos nosso apoio crítico à Chapa 1.

Por fim, frisamos que acreditamos sinceramente na presença de companheir@s que hoje, dentro da Chapa 1, compartilham de boa parte do balanço crítico que fazemos aqui e se mobilizam para superá-los, fator que também pesa em nossa decisão pelo apoio à chapa. Esperamos estar juntos destes companheiros nas lutas que se acercam para além de promover uma importante agitação em torno de temas vinculados à educação, repensarmos e reorganizarmos o movimento estudantil sob bases não burocráticas e hegemonistas, onde o trabalho de base esteja acima da fraseologia de palavras de ordem repetidas a exaustão.

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Porto Alegre, 19 de Novembro de 2013

Facebook da Chapa 1: https://www.facebook.com/nadaseracomoantesnasruasenaufrgs?fref=ts

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18 anos na construção do Socialismo com Liberdade

Durar para atuar, atuar para durar

DSC02219Há exatos 18 anos era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Mais uma pedra era colocada nesse grande caminho que milhares de homens e mulheres vêm construindo com sangue, suor e barricadas ao longo de mais de 1 século de luta das classes oprimidas contra a dominação política, econômica e ideológica das classes dominantes. Desde então, nossa Organização Política Anarquista, de matriz especifista, vem buscando retomar o lugar que por origem pertence ao Anarquismo: o interior das organizações e das lutas dos oprimidos, dos explorados, dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo. Não tem sido tarefa fácil. Tivemos e temos que aprender diariamente com nossos erros, nossas limitações e também com as calúnias e o mal caratismo daqueles que deveriam ser nossos aliados na luta contra o sistema de dominação capitalista.

Mas nunca estivemos sozinhos. A companheirada da Federação Anarquista Uruguaia – FAU, fundada em 1956 e que forjou pela prática política e no enfrentamento a diversos contextos de forte repressão naquele país nos anos 60 uma bela referência que inspirou nossa fundação enquanto organização de matriz especifista, assim como as inúmeras iniciativas organizativas de jovens militantes que sem nenhuma estrutura física e financeira ousaram nesse imenso território chamado Brasil plantar sementes de organização política e social, sempre foram nossos parceiros nessa longa caminhada. Além disso, centenas de homens e mulheres militantes de movimentos sociais, de sindicatos, do movimento estudantil, dos bairros de periferia estiveram ombro a ombro nas diversas lutas travadas por uma vida mais digna, por mais direitos sociais contra a repressão e a criminalização das lutas, etc.

Mas nem um ano foi tão significativo para nós nesses 18 anos do que o ano de 2013. Foi o ano da conquista da redução das passagens em dezenas de cidades brasileiras; ano em que vivenciamos uma mobilização de massas como não se via em 20 anos; ano de forte repressão e investida das elites econômicas, midiáticas e políticas contra os lutadores sociais e contra nossa ideologia; ano de acumular experiência organizativa e política e de forjar unidade com os que lutam e querem transformar a realidade em que vivemos. Foi um ano que surpreendeu o conjunto da esquerda combativa e que apontou os limites da ação direta de rua quando não há organização de base consolidada. Enfim, para nós da Federação Anarquista Gaúcha o ano de 2013 foi um divisor de águas, tanto para nossa trajetória enquanto Organização Política quanto para a Organização dos de Baixo. E ainda temos um longo caminho a percorrer e muito para aprender com nosso povo e com as práticas que vamos forjando.

São 18 anos de Força e Convicção Ideológica e de reafirmação de um projeto político estratégico para a transformação social, elaborado e re-elaborado no calor das lutas, das alianças, dos vai e vens da conjuntura, no marco de um determinado período histórico e tendo sempre como protagonista os organismos de luta e organização das classes oprimidas. É porque acreditamos e militamos pela construção de um Povo Forte que somos Anarquistas! É porque sabemos que a Revolução Social ou a destruição das Classes Sociais não se dá por decreto e tampouco de um dia pro outro que nos organizamos politicamente e nos dotamos de uma Estratégia, de um Programa e de um Marco Teórico que analise a realidade em que vivemos.

Sim, somos Anarquistas e enquanto tal não nos prestamos a caricaturas.

 

Há 18 anos forjando práticas e ideologia de mudança!

Há 18 anos peleando pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a FAG, Viva a ANARQUIA!!!

Lançamento: “Teoria da Organização Política Anarquista”

A Federação Anarquista Gaúcha estará lançando durante a 4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre sua mais nova publicação. Trata-se do livreto TEORIA DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA, uma seleção de recortes dos escritos de diversos militantes e organizações anarquistas que ao longo da história de nossa ideologia forjaram um rico patrimônio de experiências e práticas organizativas e militantes que são referência para a nossa corrente, o Especifismo e, portanto, para a nossa Organização.

O lançamento ocorrerá no dia 16 de Novembro (sábado) às 16:00 em nossa Sede Pública (o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea) e exemplares estarão disponíveis para venda (ainda não temos valores definidos). Participe!

Evento no face da 4ª FLA de Porto Alegre: https://www.facebook.com/events/1398470570390022/?source=1

capa teoria da organização

APRESENTAÇÃO

Esta publicação é uma obra para favorecer o contato do público com a formação histórico-social do anarquismo e sua organização política. Muita confusão, engano e caricatura tem sido plantada nesse terreno. O trabalho está inserido dentro do critério que consideramos mais rigoroso. Senta suas raízes socialistas e tudo o que implica filosofica e politicamente dentro do contexto das lutas operárias revolucionárias contra o capitalismo.

Desde o berço o anarquismo participa de elaborações teóricas que eram patrimônio de todo o campo socialista, mas faz avançar sua crítica à relações de poder e estruturas dominantes que lhe deram identidade própria. Como prática política radicada em um setor do movimento operário internacional imprimiu uma orientação militante que procurava guardar relação com vias antiburocráticas e antiautoritárias de chegada ao socialismo. Atravessou distintas e cambiantes conjunturas históricas que lhe condicionaram variantes no tático-estratégico. Também sofreu a deriva dogmática de quem elevou a princípios o que só eram táticas que respondiam a uma contingência da luta.

O ensaio de Rudolf Rocker “Anarquismo e Organização” que selecionamos e traduzimos aqui nos dá um ponto de partida fundamental. Tem o mérito de dissipar a poeira e deixar patente que a formação ideológica anarquista esta vinculada histórica e socialmente ao mundo dos de baixo, dos oprimidos, explorados, seus dramas, experiências e projetos de emancipação.

A seleção que vem a seguir convida a todos/as a viajar pelo rico acervo do pensamento político libertário. Trazemos para o leitor o aporte e a experiência de velhos militantes e organizações anarquistas que no curso das lutas populares do seu tempo conformaram nosso referente político-doutrinário. Desde esse marco nossa corrente especifista vai conceber a organização: das massas em luta de classe contra o sistema capitalista; e dos anarquistas, como um grupo de ação finalista revolucionária, vinculado aos conflitos específicos concretos do movimento operário e ao projeto socialista de federalismo e autogestão. Escrevendo muitas vezes em tom de polêmica, promovendo o debate, sugerindo proposições e tomando critérios de trabalho no calor dos combates, trata-se de uma compilação de recortes tematizados dos nossos clássicos e das formulações que verteram no especifismo.

Boa leitura!
Comissão de Publicações
FAG