(Vídeo) Alberto “Pocho” Mechoso por Juan Carlos Mechoso

“…a melhor e autentica maneira de recordar nossos companheiros é continuar a luta pelos ideais pelos quais caíram. Continuar sem claudicações, com a firmeza que exige um inimigo como o que temos em frente.

…O que vem não será fácil de enfrentar, mas o fácil quase sempre é o pior nesse caminho.”” Juan Carlos Mechoso.

pochomechosoNas próximas semanas nossa organização estará dando início aos trabalhos de seu VI Congresso. Escolhemos homenagear nessa instância o companheiro Alberto “Pocho” Mechoso.

Pocho foi um dos fundadores da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia (FAU) em meados da década de 1950. Operário da indústria frigorífica, militou sindicalmente em sua então recém fundada organização, através da Federação de Operários da Indústria da Carne, tendo participado ativamente do processo de unificação sindical no país que levou à formação da Convenção Nacional dos Trabalhadores (CNT) em 1966, ao lado de outros companheiros de FAU como Leon “el Loco” Duarte (operário da indústria da borracha/pneus) e Gerardo Gatti (operário gráfico).

Com o recrudescimento da repressão política no país em finais da década de 1960, que ilegaliza a FAU em 1967 junto a outras organizações, Pocho passou à clandestinidade e assumiu a tarefa de ser um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho armado da organização, posteriormente denominado de Organização Popular Revolucionária 33 Orientales (OPR-33), que desenvolveu inúmeros operativos armadas no país. O acionar da OPR-33 guardava uma considerável distância das concepções foquistas, adaptadas para uma realidade urbana pelos Tupamaros no Uruguai, defendendo um vínculo da luta armada com o desenvolvimento da radicalidade do movimento de massas e sua subordinação a um instrumento político (organização/partido), neste caso, a FAU. Nesse sentido, a OPR-33 protagonizou ações como seqüestros de dirigentes da patronal em meio a conflitos sindicais, operações de sabotagem, expropriações financeiras para financiar o desenvolvimento da organização e alimentar fundos de greve dentre outras.

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Preso em fins de 1972, Pocho conseguiu fugir do quartel de 5. Artilharia de Montevidéu após ter resistido a violentas seções de tortura que buscavam informações que pudessem desarticular o aparelho da organização, refuginado-se em seguida em Buenos Aires onde seguiu atuando junto a outros companheiros da FAU/OPR-33 com o objetivo de criar uma estrutura de “retaguarda” ao golpe de Estado que a organização sinalizava que era iminente e, ocorreu de fato em junho do seguinte ano.

Preso em 1976, quando do golpe na Argentina, Pocho passou pelo centro de detenção clandestino Automotores Orletti, junto a muitos outros companheiros da FAU e de outras organizações (Orletti cumpriu a infame tarefa de ser a principal prisão para onde eram enviados os muitos uruguaios que viviam clandestinos na Argentina), como os citados Leon Duarte e Gerardo Gatti, que, assim como Pocho foram desaparecidos pela sanguinária cooperação das ditaduras do Cone Sul, a Operação Condor.

92-3Os restos mortais de Pocho foram identificados em 23 de maio de 2012 após terem sido encontrados junto a outros 06 militantes ao fundo de águas argentinas dentro de um tanque com cimento.

A firmeza de Pocho e de tantos outros companheiros(as) como Elena Quinteros, León Duarte, Gerardo Gatti, Idílio de León, Heber Nieto, frente a infâmia repressiva dos de cima é um exemplo de força e convicção ideológica que nada é capaz de dobrar.

p1010632Concluímos estas linhas em homenagem a este inesquecível companheiro reproduzindo o vídeo gravado no Ateneo del Cerro, em Montevidéu do pronunciamento de seu irmão, Juan Carlos Mechoso, por ocasião da entrega de seus restos mortais. Também fundador e militante da FAU, Juan Carlos Mechoso passou toda a ditadura uruguaia (1973-1985) no cárcere, tendo se “atirado” no trabalho de reorganização da FAU assim que sai da prisão, onde segue militando nos dias de hoje.

Não ta morto que peleia!

Aberto “Pocho” Mechoso: Presente!

Arriba los que luchan!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Publicação da FAU sobre Pocho Mechoso

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ATO PÚBLICO DA FAG: Força e convicção ideológica (textos lidos)

farjO ANTES E O DEPOIS DE JUNHO

*Análise de conjuntura lida no ato da público da FAG em 17/10/2013.

No inicio do ano de 2013 começou a ganhar força uma nova configuração para este país, um novo contorno histórico de luta popular, inicialmente com mobilizações pequenas, mas que nitidamente ganharam logo de cara a simpatia de uma ampla maioria dos trabalhadores e oprimidos em geral,  simpatia esta que caracteriza o descontentamento do povo com suas condições de vida, por seus direitos mais básicos como saúde, educação e transporte negados pelos de cima (governantes, patrões, mídia coorporativa). Continue reading

ATO PÚBLICO DA FAG: Força e Convicção Ideológica

DSC02212O ato começou logo que caiu a noite, por ali, inicialmente uma pequena aglomeração de pessoas na bonita rua da travessa dos venezianos na cidade baixa de Porto Alegre.

1392089_1422637664617851_431766968_nNão tardou muito o telão e os microfones já estavam prontos para o uso, assim como os convidados já se faziam presentes, mais de 100 pessoas que certamente compuseram uma bonita fotografia colocada para este ato político. Um painel de fundo, com as cores vermelho e preto e os dizeres “FAG 18 anos, força e convicção ideológica” cobria a parede do Ateneu Libertário a Batalha da Várzea, local político, social e cultural da FAG. A rua que já é bonita por si só ficou ainda mais com a presença de cada companheiro e companheira que se fez presente.

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Vários coletivos, organizações políticas, movimentos se fizeram participantes, também estavam lá pessoas sem organização social e política, mas sem dúvidas simpatizantes do tema a ser tratado. Uma grande parte dos que se faziam presentes ali, podemos até dizer que a maioria, são militantes anarquistas desta cidade e que, de uma forma ou outra se somam nos processos de luta que nos tocou atuar nos últimos tempos. Não todos militantes da FAG, mas companheiros de ideologia e luta. Também contamos com a participação de militantes de outras matrizes ideológicas, estes foram convocados por nossa organização no momento que propomos a solidariedade a todos os que estão lutando e por conta disso sendo perseguidos e criminalizados. Nossa solidariedade de classe como já diz uma antiga chamada é “mais do que palavra escrita” ela se faz em atitudes concretas, no que é de fato.

1391896_1422637321284552_1937506031_nO ato teve a leitura das adesões de várias organizações irmãs da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), da Federação Anarquista Uruguaia(FAU), assim como de movimentos populares autônomos. Foi feita a leitura do material nosso com elementos da conjuntura, repressão, criminalização e os desafios colocados para os setores de luta dos oprimidos. Logo tivemos as falas de companheiros de outras organizações políticas, sociais e populares que ali estavam, foram sete intervenções que firmam o compromisso de estar e continuar em luta contra a criminalização do protesto e da revolta. Falas estas, das quais compartilhamos o sentimento de solidariedade de classe, porque o sectarismo para nós da FAG é umas das piores doenças políticas que atingem setores do campo popular de esquerda.

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Para os militantes de outras matrizes ideológicas que tiveram respeito em aceitar o nosso convite e comparecer em nosso ato fica nosso cordial agradecimento. Segue um trecho da fala de abertura que representa muito bem o caráter que fizemos ter este Ato: “Em que pese ser o ato de uma organização política anarquista, com seu discurso, as suas linhas e a própria cultura militante, cremos que esta é uma conjuntura especial que toca a todos e todas que lutam para não se amesquinhar, para quebrar o sectarismo e brindar solidariedade de classe, por cima das diferenças partidárias. Que se sintam parte deste Ato todos os lutadores sociais perseguidos e com todo nosso respeito tomem um lugar entre nossa fraternidade libertária e socialista.”.

1377506_1422638714617746_2086004806_nE assim foi, bem mais de uma centena de pessoas, talvez duas, puderam socializar conosco momentos de reflexão e análises sobre a luta popular e política que estamos envolvidos. Também houve momentos de imagens das mobilizações, músicas e por fim a fala final de nossa organização, uma fala com elementos ideológicos de nossa corrente dentro do anarquismo, o Especifismo. Aqui o trecho que segue sintetiza um pouco do nosso acionar: “Nosso anarquismo em ação quer ser um fator para unir o que está disperso, organizar o que anda desorganizado, para encontrar mecanismos de participação popular em direção de uma estratégia de poder popular que carregue um programa de soluções para os explorados e oprimidos. Que faça sair pra frente os protestos sociais.”.

O ato abrigou diferentes gerações de lutadores, gente que a décadas atrás já estavam nas peleias dos de baixo, mas foi a juventude que teve um papel importante e renovador, o papel de seguir empunhando a bandeira por socialismo com liberdade, pelo anarquismo. Devemos concluir então que este Ato é só uma “pausa”, um momento de reflexão, de socializar com a companheirada como estamos enxergando o cenário das lutas e compartilhar as tarefas políticas que a luta popular nos traz.

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Seguiremos “resistindo com força e convicção ideológica, mantendo nossos ideais onde se encontram os anseios dos oprimidos, sendo parte ativa nas lutas cotidianas, atuando com modéstia, mas com firmeza. Em memória a todas e todos que tiveram suas vidas ceifadas pela mão do opressor quando teimaram em defender a liberdade, a justiça social e a revolução social.

Nenhum passo atrás!

Rodear de solidariedade os que lutam!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG