Adesão da FAG/CAB ao 1º Congresso da Federação Anarquista de Rosário, Argentina

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Companheiros e companheiras da FAR,

É com alegria que viemos através desta mensagem saudar e nos solidarizar com esse importante momento para o anarquismo argentino e internacional. Há anos temos acompanhado as inúmeras lutas do povo argentino e o subterrâneo e vigoroso desenvolvimento de uma linha classista e libertária desde as bases, em meio ao povo e seus anseios, por parte expressiva do território argentino. Práticas que guardam uma importante influência e incomparável estímulo de um anarquismo de combate e intransigentemente classista do qual a jovem Federação Anarquista de Rosário (FAR) é uma importante referência.

O tenaz trabalho promovido ao longo dos anos pelos companheiros que hoje consumam a FAR acumulou importantes experiências de luta e organização em um primeiro momento na FACA e logo na Columna Anarquista Joaquim Penina. Trilhando um caminho pedregoso, difícil e por vezes hostil, os companheiros seguiram firmes e não se renderam as tentações de eleger as vias pretensamente mais fáceis que inevitavelmente acabam nos levando ao lodo da conciliação como temos presenciado em diversas experiências, muitas das quais com nobres origens.

O caminho eleito pelos companheiros, para além da digna reafirmação de nossa histórica cultura classista e de ação direta, foi o a via da formulação de um projeto estratégico inevitavelmente de longo prazo. Planejar e sistematizar idéias guia para levar a cabo uma luta que não termina logo ali e que sabemos, apresenta infinitas variáveis, nos impedindo de ter uma resposta pronta e acabada aos problemas que tocam a construção do necessário processo revolucionário. Por sua vez, o caminho da organização específica é o caminho de um leito seguro, onde refletimos e planejamos conjuntamente, onde acumulamos um recipiente de experiências e nos fortalecemos com o rigor de nossa ideologia e análise. É, portanto, nosso porto seguro para a formulação estratégica, tanto quanto para o desenvolvimento dos necessários reflexos para atuar em tempos nervosos que, por vezes, nos tomam por “surpresa”. Um caminho que exige frieza, capacidade de analisar rigorosamente nossas respectivas formações sociais, as permanentes transformações no sistema de dominação que é o capitalismo, a sensibilidade para interpretar as devidas subjetividades e anseios que tocam o cotidiano de nossa classe e a partir daí elaborar hipóteses. Um trabalho que exige um adequado esforço teórico mas que jamais deve prescindir do devido enraizamento nos espaços de trabalho e sociabilidade dos de baixo. Trata-se de um processo interdependente que requer um exaustivo esforço para que sejam devidamente balanceados e acumulem estrategicamente. Um processo que requer certezas ideológicas e dúvidas filosóficas como diria nosso velho Malatesta.

Confiamos na capacidade e disposição dos companheiros em levar a cabo essa árdua tarefa, aportando dia-a-dia nas diversas frentes de luta seu grão de areia para o desenvolvimento das lutas e organizações dos de baixo, para uma necessária acumulação de forças nos marcos de um projeto estratégico de ruptura revolucionária e na busca por reafirmar o anarquismo como potente força de combate e organização de nossa classe. A resgatar o nobre legado das sociedades de resistência, da patagônia rebelde, de nossos mártires de Ushuaia aos nossos queridos companheiros desaparecidos da Resistência Libertária. Uma linhagem histórica a se resguardar e defender em cada peleia, em cada debate estratégico! Assim, um novo ciclo começa a germinar com o acúmulo da experiência brasileira através da CAB, a importante experiência e legado da FAU e agora uma nova afirmação de combate libertário com os compas da FAR. Agora, no sul da América Latina temos outra   Organização política para chamar de Co-Hermana! Junto a isso, muitas são as informações e contatos que nos chegam de companheiros anarquistas promovendo luta e organização entre o povo, acumulando experiências e promovendo ensaios de organizações anarquistas. Inúmeras possibilidades se apresentam a todos nós e os trabalhos são enormes. A arregaçar as mangas e nos atirar à essa imprescindível tarefa, portanto, é algo imprescindível.

Para além da alegria que nos contagia com esse importante acontecimento, manifestamos, por outro lado, uma tristeza por não poder estarmos presentes nesse importante momento, para abraçar cada companheiro e cerrar firme nossos punhos para afirmar nosso projeto especifista ao únissimo grito que nunca há de nos separar:

ARRIBA LOS QUE LUCHAN!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

(Vídeo) Alberto “Pocho” Mechoso por Juan Carlos Mechoso

“…a melhor e autentica maneira de recordar nossos companheiros é continuar a luta pelos ideais pelos quais caíram. Continuar sem claudicações, com a firmeza que exige um inimigo como o que temos em frente.

…O que vem não será fácil de enfrentar, mas o fácil quase sempre é o pior nesse caminho.”” Juan Carlos Mechoso.

pochomechosoNas próximas semanas nossa organização estará dando início aos trabalhos de seu VI Congresso. Escolhemos homenagear nessa instância o companheiro Alberto “Pocho” Mechoso.

Pocho foi um dos fundadores da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia (FAU) em meados da década de 1950. Operário da indústria frigorífica, militou sindicalmente em sua então recém fundada organização, através da Federação de Operários da Indústria da Carne, tendo participado ativamente do processo de unificação sindical no país que levou à formação da Convenção Nacional dos Trabalhadores (CNT) em 1966, ao lado de outros companheiros de FAU como Leon “el Loco” Duarte (operário da indústria da borracha/pneus) e Gerardo Gatti (operário gráfico).

Com o recrudescimento da repressão política no país em finais da década de 1960, que ilegaliza a FAU em 1967 junto a outras organizações, Pocho passou à clandestinidade e assumiu a tarefa de ser um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho armado da organização, posteriormente denominado de Organização Popular Revolucionária 33 Orientales (OPR-33), que desenvolveu inúmeros operativos armadas no país. O acionar da OPR-33 guardava uma considerável distância das concepções foquistas, adaptadas para uma realidade urbana pelos Tupamaros no Uruguai, defendendo um vínculo da luta armada com o desenvolvimento da radicalidade do movimento de massas e sua subordinação a um instrumento político (organização/partido), neste caso, a FAU. Nesse sentido, a OPR-33 protagonizou ações como seqüestros de dirigentes da patronal em meio a conflitos sindicais, operações de sabotagem, expropriações financeiras para financiar o desenvolvimento da organização e alimentar fundos de greve dentre outras.

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Preso em fins de 1972, Pocho conseguiu fugir do quartel de 5. Artilharia de Montevidéu após ter resistido a violentas seções de tortura que buscavam informações que pudessem desarticular o aparelho da organização, refuginado-se em seguida em Buenos Aires onde seguiu atuando junto a outros companheiros da FAU/OPR-33 com o objetivo de criar uma estrutura de “retaguarda” ao golpe de Estado que a organização sinalizava que era iminente e, ocorreu de fato em junho do seguinte ano.

Preso em 1976, quando do golpe na Argentina, Pocho passou pelo centro de detenção clandestino Automotores Orletti, junto a muitos outros companheiros da FAU e de outras organizações (Orletti cumpriu a infame tarefa de ser a principal prisão para onde eram enviados os muitos uruguaios que viviam clandestinos na Argentina), como os citados Leon Duarte e Gerardo Gatti, que, assim como Pocho foram desaparecidos pela sanguinária cooperação das ditaduras do Cone Sul, a Operação Condor.

92-3Os restos mortais de Pocho foram identificados em 23 de maio de 2012 após terem sido encontrados junto a outros 06 militantes ao fundo de águas argentinas dentro de um tanque com cimento.

A firmeza de Pocho e de tantos outros companheiros(as) como Elena Quinteros, León Duarte, Gerardo Gatti, Idílio de León, Heber Nieto, frente a infâmia repressiva dos de cima é um exemplo de força e convicção ideológica que nada é capaz de dobrar.

p1010632Concluímos estas linhas em homenagem a este inesquecível companheiro reproduzindo o vídeo gravado no Ateneo del Cerro, em Montevidéu do pronunciamento de seu irmão, Juan Carlos Mechoso, por ocasião da entrega de seus restos mortais. Também fundador e militante da FAU, Juan Carlos Mechoso passou toda a ditadura uruguaia (1973-1985) no cárcere, tendo se “atirado” no trabalho de reorganização da FAU assim que sai da prisão, onde segue militando nos dias de hoje.

Não ta morto que peleia!

Aberto “Pocho” Mechoso: Presente!

Arriba los que luchan!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Publicação da FAU sobre Pocho Mechoso

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ATO PÚBLICO DA FAG: Força e convicção ideológica (textos lidos)

farjO ANTES E O DEPOIS DE JUNHO

*Análise de conjuntura lida no ato da público da FAG em 17/10/2013.

No inicio do ano de 2013 começou a ganhar força uma nova configuração para este país, um novo contorno histórico de luta popular, inicialmente com mobilizações pequenas, mas que nitidamente ganharam logo de cara a simpatia de uma ampla maioria dos trabalhadores e oprimidos em geral,  simpatia esta que caracteriza o descontentamento do povo com suas condições de vida, por seus direitos mais básicos como saúde, educação e transporte negados pelos de cima (governantes, patrões, mídia coorporativa). Continue reading