Greve dos Municipários de São Leopoldo continua!

11052526_852144991530155_22363086527835895_nOs municipários de São Leopoldo seguem em greve! Iniciada em 03/06 pela Educação e somada com as demais categorias como Saúde, Segurança e Assistência Social no dia 11/06, rechaçamos a política de sucateamento e precarização do governo Aníbal Moacir (PSDB) expressa na falta de resposta do dissídio (data-base em abril e o retorno de aumento de “0%”), atraso e parcelamento de salários e os constantes cortes aos setores de trabalho que reflete em péssimas condições de trabalho e na situação do trabalhador/a.

Seguimos mobilizando em cada local de trabalho, buscando possibilidades de diálogo com a gestão pública, informando a população sobre a situação da cidade e do serviço público. A expressão do movimento grevista mostra sua força nas grandes caminhadas realizadas na área central da cidade, e a culminância na aprovação da CPI das contas do município!

Esse avanço demonstra que o movimento cresce e pressiona a prefeitura a nos ouvir! Agora é hora de continuar avançando, para conquistar as pautas específicas e a pauta geral! Reajuste da inflação é lei, e por isso a greve é nossa obrigação! Devemos fechar o punho e mostrar que a força está na greve e no apoio da população a nossa luta!

Convidamos a todos/as os lutadores/as a se solidarizarem com a luta em São Leopoldo! Vamos mostrar que a nossa força é nas ruas! Quem manda na negociação é a nossa organização e nossa voz!

Dia 19/06, às 15h, tod@s à Prefeitura de São Leopoldo!

Arribas l@s que luchan!

É greve até a vitória!

Ato Anarquista de 1º de Maio

20150503201618Realizamos no dia 30/04 nosso Ato Anarquista de 1º de Maio no Centro de Cultura Libertária da Azenha, CCL. Um momento de socializar linhas de análise da conjuntura e das lutas sindicais atuais, de fazer memória a data e de confraternizar com companheiros e companheiras de luta.

Abaixo compartilhamos a adesão da nossa irmã Federação Anarquista Uruguaia – FAU, o discurso de nossa Organização lido no Ato e algumas fotos.

Viva o 1º de Maio!

Viva a FAG e seus 20 anos!

Viva a CAB!

Viva a Anarquia!

Compañeras y compañeros de la FAG

Nosotros que somos su organización Hermana, la federación Anarquista uruguaya queremos dejarles un fuerte abrazo libertario de cara a las jornadas de lucha para el 1° de mayo. Una data mas que importante para nosotros, por lo histórico y político de aquellos hechos y por la continuidad ideológica de nuestras luchas obreras y populares, y nuestra cultura anarquista, libertaria.

20150503201739 (1)Vinieron muchos después, muchos y muchas luchadoras y luchadores, todos humildes y modestos en su aporte que ha significado el sostenimiento de una ideología y cultura de práctica, acción, resistencia. Ha sido la lucha desde abajo, con los de abajo lo que nos ha caracterizado. Y no nos lo han contado como una novela, es porque somos de abajo y sabemos que las conquistas han sido con sangre y lucha, que decimos que el anarquismo, el socialismo, la cultura libertaria en sí ha sido obra y creación de los pueblos oprimidos. No ha sido obra de laboratorio ni creación científica. Y allí también lo es. Año 2013 que marcó y viene definiendo una nueva etapa para nuestros hermanos de la FAG y la CAB. Sostenido en 2014, y se viene el 2015, y el 2016. Con los 20 años de la FAG y los 60 de la FAU!

Entonces va nuestro saludo solidario, va nuestro abrazo de resistencia y va nuestro puño en alto, nuestro pulso furioso señalando los 10 años del asesinato del compañero Nicolas Neira Alvarez de Colombia a manos de la policía asesina y el aparato represivo del estado, y la brutal represión, masacre que están viviendo los trabajadores y pueblo movilizado en Curitiba. Toda nuestra solidaridad para resistir esa bestial masacre en aquel pueblo Paranaense, sin dudas, sin titubeos. Con los 200 heridos y con todo el pueblo que está creciendo en organización y resistencia.

 Por un 1° de mayo clasista!

Toda la solidaridad con las luchas de Curitiba!

Arriba los 20 años de nuestra Hermana Federación Anarquista Gaúcha!

Arriba el poder Popular!!

Arriba los que luchan!!

federación Anarquista urugaya

Contra a trapaça político burguesa e o arrocho da vida dos trabalhadores

20150503201600O mal estar corre solto nas ruas do país. A recessão econômica e as amargas medidas do governo Dilma/PT a nível federal e Sartori/PMDB a nível estadual buscam salvar os lucros de banqueiros e empresários, cortando direitos, investimentos sociais e aumentando o custo de vida sob o farsante argumento de que o momento é de “sacrifício para todos”. Aliado a isso tudo, o cheiro podre da corrupção sistêmica impregnado no ar, em que se articula uma complexa constelação de interesses e “escândalos” que envolvem desde os partidos da coalizão governista como aqueles da oposição de direita, grandes empresas e banqueiros e os grandes conglomerados de comunicação.

Vida cara e precária. Arrocho nos trabalhadores.

A promessa do capitalismo brasileiro, que vinha crescendo pela mão de uma desapropriação violenta dos bens comuns, pela dominação dos capitais do agronegócio, mineradoras e empreiteiras, quebra a cara com a queda do preço das “commodities” e da desaceleração do capitalismo chinês. As idéias triunfalistas de um país de classe média, puxado pelo consumo e o endividamento de massas, pelos empregos precários e a inclusão dos pobres como sujeito flexível do mercado, mostram sua fragilidade e já entram em desencanto em amplas camadas de trabalhadores do país.

A classe operária vive de novo as demissões na indústria e na construção civil. Só no ramo de autopeças a patronal prega mais uma chantagem, exigindo infinitos incentivos fiscais e flexibilização de direitos, ameaçando em caso contrário com 30 mil demissões ao longo do ano. A falta de água e luz cria calamidade nas periferias urbanas e o preço das contas de energia, da alimentação e dos serviços aumentam mais que a renda dos trabalhadores. A mudança de regras do seguro-desemprego e do acesso a benefícios previdenciários (MP´s 664 e 665) corta direitos e coloca sobretudo uma classe trabalhadora jovem e localizada em empregos precários em uma situação de maior vulnerabilidade e risco.

Os impostos castigam o consumo dos setores populares e médios, enquanto aliviam os ricos, donos de empresas e grandes fortunas. Em contrapartida a saúde e a educação pública seguem sucateadas, o transporte coletivo é péssimo, a justiça criminaliza a pobreza, a polícia é racista e mortal nas vilas, favelas e subúrbios e o encarceramento em massa de pobres e negros entra em uma nova fase com a aprovação da redução da maioridade penal.

Os precarizados, a massa dos trabalhadores brasileiros, alçados como modelo do regime de trabalho flexível e super-explorador, sujeitos de uma rotina de pesados sacrifícios, dão sinais de cansaço e irritação. A patronal, não satisfeita com os inúmeros incentivos vindos dos governos, quer mais trabalho precário e pressiona o governo pela lei de terceirizações.

A insatisfação cresce por todos os lados e chega a transbordar para além das velhas estruturas, normas e regras que o sistema oferece para sua canalização. Insatisfação representada por um sentimento difuso que, entre outras coisas, expressa rebeldias que vem de baixo.

Terceirização: o grande ápice de um processo que leva 12 anos.  

20150503201110A ofensiva patronal sobre nossa classe atingiu seu ápice nas últimas semanas com a aprovação do PL 4330, a lei das terceirizações, na Câmara de Deputados que agora se direciona para votação no Senado para então ser sancionada ou vetada pela presidente Dilma.

Ancorados no embuste de “regulamentação dos trabalhadores terceirizados” e “modernização das relações trabalhistas”, a patronal em aliança com a corrupta e mafiosa burocracia da Força Sindical desdobra uma ardilosa operação política que visa, em realidade, fazer das terceirizações o novo paradigma das relações de emprego no país, sepultando de uma vez por todas a garantia de pleno emprego com direitos. Ao liberar a terceirização das “atividades-fim” esse modelo de precarização do trabalho afirma sua vitória política que vem sendo construída ao longo dos últimos anos, afirmando-se por sua vez, enquanto a maior derrota dos de baixo desde o golpe de Estado de 1964.

Ainda em 2003, o início do primeiro mandato de Lula apontava o verdadeiro projeto político em curso com a aprovação da reforma da previdência, então uma das principais ambições tucanas. A mesma reforma não teria sido possível sem a velha cantilena da “modernização” a qual não deixou de lado o covarde jogo de desenvolver um discurso que buscava opor trabalhadores do funcionalismo público com trabalhadores do setor privado, apresentando a “inevitável necessidade de podar os privilégios” dos primeiros para que pudessem ser garantidos os direitos dos segundos.

Desde então, os 12 anos de pacto social petista antes de terem sido capazes de reduzir os índices de desemprego, foram os anos de uma discreta e eficaz construção de um consenso social em torno da necessidade de precarizar as relações de trabalho. A grande massa de novos trabalhadores formais, em sua grande maioria jovens, que deixaram a incerteza do desemprego dos odiosos anos tucanos foi também aquela que se formou em condições de trabalho precário e sem direitos. Telemarketing, construção civil e terceirizações diversas foram o grande pulmão que alavancou os empregos nestes anos, colocando essa nova geração de trabalhadores em condições deploráveis de exploração, repressão sindical, excesso de jornada e ritmo de trabalho, salários rebaixados, acidentes e mortes, dentre outras mazelas.

20150503201655A fragmentação da classe trabalhadora e seu contínuo enfraquecimento organizativo foi, por sua vez, a principal trilha percorrida pelo projeto democrático popular encabeçado pelo PT desde meados da década de 1980. Para alcançar o executivo foi necessário a “acumulação de forças” nas estruturas políticas do Estado enraizando ai uma cultura política em que antes da luta autônoma de classe se ambicionava a aquisição de cargos no legislativo e nos executivos estaduais e municipais. Com a chegada do PT ao executivo esse processo deu um salto de qualidade e levou as grandes organizações de classe a uma simbiose com o Estado, sendo fiéis escudeiros do governo de turno e afirmando-se enquanto um grande estorvo à organização dos de baixo. Vista grossa à reforma da previdência e assinatura de acordos que flexibilizam direitos, rebaixam salários e demitem, foram e seguem sendo recursos cotidianos por parte da CUT, para citar um dos mais importantes exemplos.

Após 12 anos à frente da gestão do Estado, aproximadamente 30 anos de progressivo alinhamento ao mesmo e enfraquecimento da capacidade organizativa dos de baixo por parte do projeto encabeçado pelo PT, a patronal se viu em uma situação favorável para convocar sua bancada e seus aparelhos ideológicos, os grandes oligopólios da comunicação e seu Instituto Millenium, para desengavetar o Pl 4330 de autoria do industrial da alimentação e ex deputado Carlos Mabel/PL.

Ainda que tenham se colocado contrários a lei das terceirizações, o PT e as centrais governistas (CUT e CTB), que em realidade brigam pela regulamentação da terceirização às atividades meio e não a sua extinção, condicionaram o essencial de suas medidas em discursos parlamentares, promovendo poucas e limitadas iniciativas de mobilização. Medidas como a vã perspectiva de sensibilizar deputados, autoridades e a presidente Dilma, tem dado o tom da pretensa resistência que este campo pretende oferecer ao monstro por ele gestado.

A lei das terceirizações chega ao senado com relativo enfraquecimento dado a repercussão negativa de seu verdadeiro teor, mas, por sua vez, com importante capacidade de se efetivar dada a ausência de uma real capacidade organizativa das organizações de base em dar uma resposta concreta no curto prazo. Em que pese esse fator, as muitas lutas que tem se desenvolvido mostram uma real capacidade de acumularmos forças e tencionar na perspectiva de virar o jogo. Da greve dos operários de Jirau à exemplar resistência dos trabalhadores em educação no Paraná, passando pelas jornadas de junho de 2013, fica à todos nós a mensagem de que é nas bases, buscando fomentar sua organização e radicalização que podemos acumular forças e reorganizar o tecido social para dar batalha nos locais de trabalho, moradia e estudo para resistir ao pacto social que hora se degenera a aberta austeridade.

É preciso cerrar o punho para dar batalha intransigente a ofensiva dos de cima, estimulando desde cada local de trabalho, estudo e moradia iniciativas para debater e se mobilizar contra a redução da maioridade penal, o ajuste fiscal do governo dos governos estaduais e federal e o projeto das terceirizações em curso, não alimentando nenhuma sorte de ilusões de que as grandes direções sindicais possam apresentar medidas que sejam capazes de frear essa onda. Só com uma forte explosão de descontentamento e fúria popular, que fuja do controle das burocracias sindicais pelegas, mas também de toda sorte de burocracia radical que reproduz os vícios burocráticos de condicionar ao seu próprio desenvolvimento político partidário, e só com protagonismo de base é que conseguiremos apresentar uma real resistência a voracidade patronal rumo à construção de uma greve geral.

Em memória aos mártires de Chicago, continuar a luta por direitos e pela transformação social!

Em solidariedade à resistência dos trabalhadores do Paraná.

Por um 1º de Maio contra as burocracias e de combate aos ataques dos governos e dos patrões!

Criar um Povo Forte!

Pelo Socialismo e pela Liberdade, Viva a Anarquia!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG/CAB

20 anos!!!

19 anos da FAG: Não tá morto quem peleia!!!

19 anos

Há 19 anos um grupo de companheiros/as escolheu fazer parte da construção de um projeto político de cores rubro negra, em que a defesa das liberdades coletivas fosse condição essencial para a forja de um socialismo sem privilégios e dominações de qualquer tipo. Um projeto que, não sendo novo, se colocava como um imenso desafio para aquela geração de jovens que, órfãos de referências diretas em nosso país, buscava referências nos muitos anos de luta e experiência de organização sindical e popular dos irmãos da banda oriental organizados na fAu (federação Anarquista uruguaia).

Não que as experiências de luta e de organização do anarquismo no Brasil não fossem ricas por si só. Mas pesou muito o fato de que a geração de militantes que de alguma forma vivenciaram na carne as experiências de organização dos trabalhadores até os anos 50 do século XX não estivesse mais viva para contribuir na formulação das respostas aos anseios daqueles e daquelas que nos inícios dos 90 queriam se organizar para retomar o vetor social do anarquismo.

Organização para dar conta não apenas do estudo teórico e doutrinário de nossa ideologia, mas que pudesse responder aos desafios cotidianos da inserção anarquista no meio sindical, estudantil, comunitário, agrário e popular. Uma organização que pudesse articular essas diversas experiências de luta e organização dos de baixo no âmbito de uma perspectiva estratégica em que os oprimidos possam ser protagonistas da transformação social, sem vanguardas auto-eleitas dando ordens sobre o que fazer. Naquela época, foi a organização política específica dos anarquistas (o especifismo) que se colocou como a melhor resposta a esse anseio e, passados 19 anos, acreditamos que o anarquismo especifista continua sendo uma boa ferramenta para nossa organização enquanto militantes anarquistas. Uma escola de vida e militância libertária que é, para nós do Rio Grande do Sul, a Federação Anarquista Gaúcha – FAG. São 19 anos buscando enxertar verdades novas no tronco das velhas verdades fundamentais como dizia o companheiro anarquista italiano Camillo Berneri.

São 19 anos germinando um mundo novo em nossos corações e construindo um homem novo (diríamos um sujeito novo) como falava o anarquista espanhol Durruti e o revolucionário latino americano Che Guevara. São 19 anos estudando e se inspirando nas experiências de luta de mulheres e homens de todas as partes do mundo que muito antes de nós já estavam no labor cotidiano de erguer uma nova sociedade em cima dos escombros da velha sociedade capitalista. Não esquecemos de Lucy Parsons, Mikhail Bakunin, Louise Michel, Errico Malatesta, J. Proudhon, Anselmo Lorenzo, Voltairine Cleyre, P. Kropotkin, Elena Quinteros, Gerardo Gatti, José Oiticica, Polidoro Santos, Edgar Leuenroth, Emma Goldman, Alberto Mechoso, Maria Canária, Leon Duarte, Espertirina Martins, Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, os Mártires de Chicago, Neno Vasco, Domingo Passos e de tantas outras companheiras e companheiros (da nossa matriz e de outras matrizes da esquerda combativa) que de alguma forma plantaram sementes de Socialismo e Liberdade.

É pela memória dessa companheirada que seguimos nos organizando e lutando, desde o lugar que nos toca atuar e junto aos homens e mulheres que dia a dia constroem através de seu suor e trabalho essa sociedade.

19 anos de luta pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

Viva a Anarquia!

Ato político da FAG – Como votam os Anarquistas?

Realizamos no dia 20 de setembro Ato Político Anarquista em que compartilhamos com a companheirada presente alguns elementos de análise da conjuntura eleitoral que a nossa Organização tem discutido e apontado. Da mesma forma, foi um momento de fazermos pública a nossa linha política para a conjuntura eleitoral e para além dela. Abaixo é possível ver algumas fotos do ato e o discurso realizado sobre o tema.

Ou se vota com os de cima, ou se luta e se organiza com os de baixo!

De baixo pra cima se luta e se cria um povo forte.

Lutar e Vencer fora das urnas.

As mobilizações de massa da juventude que escreverem um pedaço da história recente do Brasil com as Jornadas de Junho ainda não tiveram um final. A explosão das ruas anunciada pelos estudantes-trabalhadores do regime flexível, sujeitos da rotina neurótica e estafante das grandes cidades, agravada pela deterioração dos serviços e dos bens públicos, não foi satisfeita. As urgências populares pela ampliação dos seus direitos continuarão em cena. São dramas brasileiros cotidianos, e ainda vão latejar muito. Terão que ganhar potência em organizações de base e com um federalismo que una as rebeldias e não se deixe capturar pelas instituições. Não serão as eleições e a oferta dos partidos da democracia burguesa que confortarão o mal-estar que provoca o sistema.

Os candidatos que lideram as pesquisas para presidente – Dilma, Marina e Aécio – não tem projeto pra fazer a mudança social que pode dar soluções definitivas e sem retrocessos às classes oprimidas. Por outro lado, o reformismo eleitoral não tem a menor adesão dos votos. E tampouco teria a liberdade de cumprir seu programa, nas regras do jogo institucional, se chegasse a representar algum perigo ao poder. A via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos e pelos mecanismos conservadores do Estado quando se trata de fazer reformas que atinjam as estruturas dominantes. As legendas de esquerda são coadjuvantes que emprestam verniz liberal-democrático ao Estado de direito das oligarquias e dos proprietários.

As eleições não possibilitam tomada de decisão estratégica sobre as pautas que motivaram os conflitos socais que tem vazão nesta etapa aberta da luta de classes. Os fatores conservadores do sistema deixam uma margem muito pequena para as manobras dos governos de turno. Pela formação histórica do Brasil e pela sua liderança no continente eles pesam ainda mais. O que está em disputa são gradações do modelo de gestão de um sistema dominado globalmente pelo capitalismo financeiro. O reformismo está fora de causa. Governar é, em primeiro lugar, fazer arranjos com as estruturas de poder que não obedecem ao voto.

O Estado não é uma máquina neutra que põe em funcionamento suas instituições ao gosto dos pilotos da vez. Na concepção liberal burguesa a representação sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e bens comuns pela vontade das minorias. O Estado é o poder político das classes dominantes, o Estado oligárquico de direito, onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, como diz o ditado popular.

No sistema político brasileiro, quem não pactua com as oligarquias não governa. Quem não joga na moeda corrente das barganhas, dos lobbies corporativos, dos loteamentos de cargos e dos mensalões não faz base de apoio. O PMDB, maior partido do país que desde a nova república “sempre foi governo”, cobra fatura da estabilidade política dos pretendentes ao trono. Os gordos investimentos das corporações privadas formam uma bancada poderosa de industriais e ruralistas no congresso. A bancada evangélica faz vigília reacionária sobre os movimentos por liberdade e direitos civis.

O congresso nacional tem alto instinto de conservação, de impunidade, de causa própria. Nenhuma vocação pra mudanças de fundo, para a participação popular, para perder privilégios sobre a política nacional através de mecanismos de democracia direta.

A justiça e as forças armadas tampouco fogem da regra. São aparelhos da ordem que investem sobre a sociedade os juízos do direito burguês da propriedade e o monopólio da violência sobre os desajustados. A justiça que anistia os golpistas e os torturadores do regime de 64 é a mesma que manda prender negros e pobres e os espreme nas jaulas do sistema carcerário. Os milicos guardam o artigo 142 na constituição federal que lhes autorizam a suspensão da ordem legal. São, em última instância, o comando das polícias militares que são desaquarteladas e postas na rua durante os anos da ditadura civil-militar a reprimir, torturar e matar até os nossos dias. As forças armadas dobraram a república, fazendo recuar as demandas de memória, verdade e justiça contra os operadores do golpe de Estado. A Comissão Nacional da Verdade nasceu no governo Dilma com os pés amarrados, com os movimentos cercados, pra que nenhum carrasco do povo seja julgado.

As liberdades constitucionais de pensamento e de expressão são aparelhadas pelo poder oligopolizado dos donos dos meios de comunicação: cerca de 11 famílias. Elas tem o controle da produção das mídias de massa que pautam o cotidiano brasileiro, selecionam e hierarquizam o que acontece, regulam a qualidade da informação e fazem vetor privilegiado do sentido, do juízo público e dos valores que circulam. A concentração da mídia brasileira é patrocinada com verbas publicitárias do governo. Em 2012 a secretaria de comunicação da presidente Dilma deu R$ 1,7 bilhões para os oligopólios.

Os bancos e o sistema financeiro que dominam de fato ou de direito as autoridades monetárias mandam cortar gastos públicos para pagar a agiotagem da dívida pública, subir juros e deixar porteira aberta para os capitais especulativos. O grupo Itaú Unibanco que tem a herdeira Neca Setúbal como fiel escudeira de Marina Silva festejou lucros de mais de R$ 15 bilhões em 2013 durante o governo Dilma. Os lucros dos banqueiros não param de crescer.

Os grandes capitais produtivos são desonerados de impostos e recebem ajudas generosas do Estado. O petróleo do pré-sal é partilhado no leilão com as grandes empresas transnacionais do setor. O BNDES ajuda montadoras como Volks, Fiat, GM, patrocina fusão de corporações como Sadia e Perdigão, Oi e Brasil Telecom, alavanca as empreiteiras com as mega-obras, financia o pacote privatista de concessão de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias aos grupos privados. Tudo subsidiado com recursos do Fundo de Garantia dos trabalhadores e por endividamento do tesouro nacional.

A via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos corporativos, pelo discurso de verdade dos oligopólios da mídia e pelos mecanismos conservadores do Estado quando se trata de fazer reformas que atinjam as estruturas dominantes.

No modelo atual, o governo dirige o Estado como financiador público do desenvolvimento capitalista privado, tomando dinheiro a altos juros da banca financeira. É uma política que leva a concepção ideológica do neodesenvolvimentismo, que procura ajustar com fundos públicos o crescimento de setores do capital ao lado de certo nível de emprego, programas sociais e crédito pro consumo de massas. Faz idéia de remediar as brutas desigualdades sociais que tem o Brasil com um pacto social, onde a classe capitalista puxa o carro e os setores populares tem uma participação residual e incerta. As ações sociais como o Bolsa Família, que atendeu 14 milhões de famílias em 2013, tem um orçamento dez vezes menor que o patrimônio das 15 famílias mais ricas do país, quem tem na sua lista seleta sonegadores de imposto como as organizações Globo e o grupo Itaú Unibanco. A expansão do ensino superior é feita a base de compra pública de vagas no mercado das universidades particulares, e de um evidente “pioramento” da qualidade da educação. A geração de empregos que o governo central estimula com generosas ajudas aos patrões está ligada a baixos salários e trabalho precário.

Pra conquistar soluções reais para o andar de baixo, que tenham direção inequívoca de uma mudança social, sem meias voltas, só com combate as estruturas de concentração do poder e das riquezas. Essa peleia não pode pedir bexiga pras oligarquias políticas, nem socorro dos milicos, nem edição honrosa do Jornal Nacional, nem tampouco colaboradores na Camargo Correa, no Bradesco ou na JBS.

O discurso do crescimento e do Brasil de classe média que foi a tônica do governismo está perdendo o embalo, não produz mais o mesmo encanto. De 2011 pra cá a roda da economia já não gira mais como antes. O crédito fácil que ativou durante um período o sonho do consumo de massas vai virando pesadelo da dívida. O ganho real dos salários é muito pequeno e os empregos precários e mal pagos. O custo de vida pega preço e os alimentos baratos perdem lugar pra pauta de exportações do agronegócio. Os serviços públicos não melhoram de qualidade. A integração relativa da base da sociedade de classes, como sujeito flexível dos controles do mercado, já não faz mais sentido em alguns setores.

Da conjuntura internacional não sopra nenhum vento a favor. A Europa, pra tomar um exemplo, enfrenta amargamente e sem prazo de vencimento a recessão, o desemprego e a pobreza. O alto mundo das finanças, onde nenhuma corporação capitalista foge do esquema, fez a farra e passou a conta para os setores médios e para a classe trabalhadora.

E o que dizer do RS, em que parece haver uma feroz disputa em torno de 2 projetos de sociedade? Só parece! O imaginário de tipo plebiscitário que as candidaturas de Ana Amélia Lemos/PP e Tarso Genro/PT vem suscitando e a representação que eles se fazem de modelos mais puros, fazem com que passe desapercebido o fato de que ambos projetos jogam conforme as regras do jogo e de que ambos nem de perto serão capazes de alterar as estruturas de poder do RS. Dívida pública que sangra os fundos públicos pra pagar o capital rentista; o poder do agronegócio na economia gaúcha, no desmonte das normas ambientais e sobre a agenda de investimentos em infraestrutura (portos, geradoras de energia) e a guerra fiscal da indústria para se apropriar de recursos do estado (fundopem) estão fora de causa nessas eleições.

Mas não precisamos ir tão longe. Com relação ao governo Tarso, basta lembrarmos de toda a repressão, criminalização e perseguição dos lutadores sociais do Bloco de Lutas, por exemplo. Das balas de borracha, dos mil gaseificados na esquina democrática, da cavalaria que corria a trotes de cavalo enquanto arrastava pelos cabelos jovens manifestantes. Das detenções arbitrárias após as manifestações. Da prisão e exposição na mídia de massa de professores do magistério estadual que participaram dos protestos. Das invasões e apreensões de sedes públicas e de casas de militantes socialistas. Dos discursos intelectualizados do governador relacionando anarquismo com fascismo.

E não só isso! Não podemos esquecer a paralisação das demarcações das terras indígenas e o descaso do governo Tarso com relação a esses povos e os conflitos que se acirraram entre indígenas e pequenos agricultores.

Por outro lado, há um possível governo Ana Amélia. Se é impossível não associarmos sua imagem com a administração da ex-governadora, a Yeda Crusius/PSDB, são condições diferentes as de agora. O PP (nacionalmente alinhado ao PT) é um partido que tem base forte pelo interior, que representa historicamente as oligarquias rurais e que provavelmente terá relações de força mais favoráveis na barganha que monta a base do legislativo. Trata-se de uma candidatura que conta com a preferência do grupo RBS onde foi funcionária de longa data. Além disso, a truculência com as lutas sociais tende a se intensificar ainda mais. A ascensão da candidata do PP é proporcional as baixas expectativas com reformas sociais e políticas públicas que resultam do “desencanto com o PT”, de uma sensação de ‘menos pior’ que é cada vez mais fraca de sentido.

Não se trata, portanto, de um projeto burguês contra outro das classes trabalhadoras. Ambos são projetos funcionais a lógica de dominação do capitalismo. Em ambos, prevalece a lógica do Estado como lócus privilegiado da política e das classes dominadas como sujeito passivo. Para o PT, as mobilizações de 2013 se bem expressam um descontentamento com o que ai está, não representam a possibilidade da gestação de algo positivo e construtivo e que aponte mudanças de fundo desde seu seio. Elas não fariam política verdadeira!

Aquilo que reclamaram as massas em junho de 2013 não ficarão por aí, mofando no expediente burocrático das autoridades, simulando pauta nos tramites e conchavos dos gabinetes, insuflando discurso pop na tribuna de um congresso picareta. Por um ou outro lado vão ganhar vazão de novo, não se acomodarão porque acusam demandas que não podem ser reprimidas o tempo todo pela polícia, tampouco esvaziadas por eleições que passam ao largo de mudanças estruturais enquanto que a vida precária e endividada dos de baixo continua.

Assim também serão as lutas que deram os setores populares atingidos pelas obras da Copa, 250 mil pessoas ameaçadas ou atingidas por despejo das suas casas, os populares das ruas que foram varridos pra longe do centro da cidade.

As greves rebeldes de base que atropelaram a burocracia sindical, a brava luta sem pelego e sem bombeiro dos operários dos canteiros de obras, dos transportes, dos garis. Dos trabalhadores que se defendem com empregos de baixos salários e péssimas condições de trabalho, terceirizações, regimes flexíveis de exploração do trabalho. A linha dos sindicatos combativos que não se curvam ao governismo e não fazem pacto com os patrões.

A dignidade das favelas que não se calam e exprimem a criminalização da pobreza, o genocídio do povo negro, a impunidade da polícia assassina.

A resistência dos pobres do campo ao saque do agronegócio, das mineradoras e o impacto das mega-obras que são tocadas pelas empreiteiras, o trabalho escravo, a violação dos territórios indígenas e quilombolas e a não reforma agrária.

O cenário de indeterminação aberto pelas jornadas de 2013 está longe de se definir. Ele pode esfriar por um momento, em conjunturas pontuais que jogam forte seus mecanismos de fantasia, como a corrida eleitoral. Mas não temos dúvidas que ele não acaba aqui.

Esse processo de lutas rebeldes produziram, entre tanta riqueza de valores e sentidos que gestam a experiência de um povo que abre caminho novo, vetores ideológicos de mudança que não se dissipam tão fácil. Dão passagem a uma geração que não se reconhece nas formas tradicionais de fazer política burguesa, que desconfiam da representação dos governos e parlamentos, do burocratismo sindical e dos partidos eleitoreiros. Que buscam formas de participação sem intermediários e se apropriam das redes sociais como fator de socialização em grupos. Que faz da forças das ruas e da ação direta de massas a sua expressão de potência. Está em processo uma nova cultura política, que excede os rótulos e as formas instituídas, que carrega sonhos e rebeldias que não tem mais referência com a construção de esquerda dos anos 80, o “Lula Lá”. Nós pensamos com muita humildade que a corrente libertária do socialismo tem muito a aportar, a ajudar a superar a insuficiência das ruas com sua sensibilidade anti-autoritária. A lutar e organizar com cabeça coletiva, democracia de base e com sentido revolucionário de povo.

Os anarquistas da FAG votarão nulo nas eleições de 5 de outubro. Como já afirmamos em outra oportunidade: pra mudar a sociedade, enfrentar o poder e suas classes dominantes, os atalhos do menos pior, do possibilismo, nunca conduzirão até outras relações de força para os oprimidos mudarem de vida. Não cremos tampouco que pedir votos, seja qual for a legenda, seja a atitude política mais adequada para produzir ideologia de transformação. Somos partidários do poder popular, de uma construção pela base com os processos de luta e organização popular, de mecanismos de democracia direta e federalismo, de um trabalho militante decidido a gerar capacidades políticas que gestam formas de autogoverno das massas em antagonismo ao poder constituído. Nem apolíticos, nem adeptos das velhas estruturas de representação burguesa, outra forma de fazer política. É essa nossa postura militante e é nesse sentido que empenharemos nossos esforços.

Ou se vota com os de cima ou se luta e se organiza com os de baixo!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

Arriba lxs que luchan! Sempre!

 Federação Anarquista Gaúcha!

20 de setembro de 2014

 

 

 

 

 

Ato político: Como Votam os Anarquistas?

20 de setembro às 17:00
No Ateneu Libertário A Batalha da Várzea
Ramiro Barcelos, 1853, Bom Fim – Porto Alegre

Figura1

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/920106051337332/?fref=ts

ATO POLÍTICO ANARQUISTA DA FAG – PELA CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR!!!

Estamos às vésperas de mais uma eleição em que os diferentes partidos eleitoreiros, seus candidatos, seus projetos e seus slogans vem pedir nossos votos. Fazem promessas, propagandeiam ilusões…

E nós anarquistas organizados politicamente? Como nos posicionamos durante a conjuntura eleitoral?

Para discutir as eleições desde um ponto de vista anarquista, a estratégia de construção do PODER POPULAR e outros elementos da conjuntura eleitoral, convidamos todas e todos para nosso Ato Político!

Mate, rango, bebidas, músicas, biblioteca “a conquista do pão” e boas companhias!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Reinauguração da Biblioteca A Conquista do Pão

Neste sábado às 17:30 a Biblioteca ‘A Conquista do Pão’ será reinaugurada!

A biblioteca pública A Conquista do Pão tem como foco na literatura libertária e abrange diversos temas, como América Latina, Brasil, educação, política, entre outros e diversas raridades. São centenas de itens literários a disposição para empréstimo e consulta local.
A biblioteca A Conquista do Pão se localiza no Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, que é um centro de cultura social que envolve debates políticos, vídeos, debates, grupos de estudo, etc.

Participe!

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/543550195757326/

Reabertura biblioteca

18 anos na construção do Socialismo com Liberdade

Durar para atuar, atuar para durar

DSC02219Há exatos 18 anos era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Mais uma pedra era colocada nesse grande caminho que milhares de homens e mulheres vêm construindo com sangue, suor e barricadas ao longo de mais de 1 século de luta das classes oprimidas contra a dominação política, econômica e ideológica das classes dominantes. Desde então, nossa Organização Política Anarquista, de matriz especifista, vem buscando retomar o lugar que por origem pertence ao Anarquismo: o interior das organizações e das lutas dos oprimidos, dos explorados, dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo. Não tem sido tarefa fácil. Tivemos e temos que aprender diariamente com nossos erros, nossas limitações e também com as calúnias e o mal caratismo daqueles que deveriam ser nossos aliados na luta contra o sistema de dominação capitalista.

Mas nunca estivemos sozinhos. A companheirada da Federação Anarquista Uruguaia – FAU, fundada em 1956 e que forjou pela prática política e no enfrentamento a diversos contextos de forte repressão naquele país nos anos 60 uma bela referência que inspirou nossa fundação enquanto organização de matriz especifista, assim como as inúmeras iniciativas organizativas de jovens militantes que sem nenhuma estrutura física e financeira ousaram nesse imenso território chamado Brasil plantar sementes de organização política e social, sempre foram nossos parceiros nessa longa caminhada. Além disso, centenas de homens e mulheres militantes de movimentos sociais, de sindicatos, do movimento estudantil, dos bairros de periferia estiveram ombro a ombro nas diversas lutas travadas por uma vida mais digna, por mais direitos sociais contra a repressão e a criminalização das lutas, etc.

Mas nem um ano foi tão significativo para nós nesses 18 anos do que o ano de 2013. Foi o ano da conquista da redução das passagens em dezenas de cidades brasileiras; ano em que vivenciamos uma mobilização de massas como não se via em 20 anos; ano de forte repressão e investida das elites econômicas, midiáticas e políticas contra os lutadores sociais e contra nossa ideologia; ano de acumular experiência organizativa e política e de forjar unidade com os que lutam e querem transformar a realidade em que vivemos. Foi um ano que surpreendeu o conjunto da esquerda combativa e que apontou os limites da ação direta de rua quando não há organização de base consolidada. Enfim, para nós da Federação Anarquista Gaúcha o ano de 2013 foi um divisor de águas, tanto para nossa trajetória enquanto Organização Política quanto para a Organização dos de Baixo. E ainda temos um longo caminho a percorrer e muito para aprender com nosso povo e com as práticas que vamos forjando.

São 18 anos de Força e Convicção Ideológica e de reafirmação de um projeto político estratégico para a transformação social, elaborado e re-elaborado no calor das lutas, das alianças, dos vai e vens da conjuntura, no marco de um determinado período histórico e tendo sempre como protagonista os organismos de luta e organização das classes oprimidas. É porque acreditamos e militamos pela construção de um Povo Forte que somos Anarquistas! É porque sabemos que a Revolução Social ou a destruição das Classes Sociais não se dá por decreto e tampouco de um dia pro outro que nos organizamos politicamente e nos dotamos de uma Estratégia, de um Programa e de um Marco Teórico que analise a realidade em que vivemos.

Sim, somos Anarquistas e enquanto tal não nos prestamos a caricaturas.

 

Há 18 anos forjando práticas e ideologia de mudança!

Há 18 anos peleando pelo Socialismo e pela Liberdade!

Viva a FAG, Viva a ANARQUIA!!!