Greve dos Municipários de São Leopoldo continua!

11052526_852144991530155_22363086527835895_nOs municipários de São Leopoldo seguem em greve! Iniciada em 03/06 pela Educação e somada com as demais categorias como Saúde, Segurança e Assistência Social no dia 11/06, rechaçamos a política de sucateamento e precarização do governo Aníbal Moacir (PSDB) expressa na falta de resposta do dissídio (data-base em abril e o retorno de aumento de “0%”), atraso e parcelamento de salários e os constantes cortes aos setores de trabalho que reflete em péssimas condições de trabalho e na situação do trabalhador/a.

Seguimos mobilizando em cada local de trabalho, buscando possibilidades de diálogo com a gestão pública, informando a população sobre a situação da cidade e do serviço público. A expressão do movimento grevista mostra sua força nas grandes caminhadas realizadas na área central da cidade, e a culminância na aprovação da CPI das contas do município!

Esse avanço demonstra que o movimento cresce e pressiona a prefeitura a nos ouvir! Agora é hora de continuar avançando, para conquistar as pautas específicas e a pauta geral! Reajuste da inflação é lei, e por isso a greve é nossa obrigação! Devemos fechar o punho e mostrar que a força está na greve e no apoio da população a nossa luta!

Convidamos a todos/as os lutadores/as a se solidarizarem com a luta em São Leopoldo! Vamos mostrar que a nossa força é nas ruas! Quem manda na negociação é a nossa organização e nossa voz!

Dia 19/06, às 15h, tod@s à Prefeitura de São Leopoldo!

Arribas l@s que luchan!

É greve até a vitória!

INTERNACIONAL | Comunicado em apoio e solidariedade a luta do DAF na Turquia

Companheiras/os da DAF (Devrimci Anarşist Faaliyet / Ação Revolucionária Anarquista):

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Queremos em primeiro lugar deixar chegar até vocês ,de maneira conjunta, nosso abraço fraterno de solidariedade com a causa do anarquismo turco comprometido com as lutas sociais e causas revolucionárias, que são as mesmas nossas causas. Em segundo lugar comemoramos e expressamos a nossa alegria que esses dois companheiros da DAF, que foram cruelmente presos pelo Estado turco, foram colocados finalmente em liberdade, sendo isso resultado da luta de rua de cada companheiro / a.

Queremos dizer-lhes que as nossas organizações seguem atentas e a postos para espalhar por todos os meios possíveis, os acontecimentos revolucionários no Curdistão ocidental e no quadro de solidariedade regional que eles criaram e, que estes enchergam vocês como protagonistas também neste processo, juntamente com outras organizações irmãs . Com profundo respeito, e sabendo que muitas vezes as distâncias impõem limites quando precisamos lançar ações de apoio a nossa causa como anarquistas, no entanto queremos fazer chegar até vocês toda a força e o apoio militante a seus esforços, não apenas por realçar a vizinha Rojava revolucionária, mas também pela tentativa cotidiana de construir uma alternativa anarquista na Turquia.

Desde já afirmamos toda a solidariedade a seus esforços, desde onde nos toca viver e atuar, aqui no sul do continente Latino Americano.

Viva a revolução de Rojava!
Viva a DAF!!!
Liberdade para Zeynep Celaliyan!
Arriba lxs que luchán!

FAU – Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay)
FAG – Federação Anarquista Gaúcha (Río Grande do Sul, Brasil)
FAR – Federación Anarquista de Rosario (Rosario, Argentina)

Periferia do Vale do Gravataí se levanta contra o governo e o patrão

20304_1010062269005331_5515766845836631583_nA última semana foi marcada por focos de resistência que ganharam expressão local e estadual lutando contra o governo municipal e a máfia do transporte metropolitano. Nos referimos aqui, principalmente, a luta travada pela periferia em oposição ao fechamento arbitrário de Unidades Básicas de Saúde e ao piquete promovido na zona norte da cidade contra a empresa laranja de transporte metropolitano, a Transcal, que opera há alguns anos com nova razão social da mesma máfia que comanda o serviço há décadas na região do Vale do Gravataí.

No caso de Cachoeirinha, é importante registrar que em ambos os processos de luta popular, além da presença libertária, operam interesses escusos de forças políticas que são base de apoio do governo federal. Citamos aqui principalmente o PT e o PCdoB que almejam aprofundar o desgaste político do PSB que há quase uma década comanda a Prefeitura desde o racha do “irmão bastardo” Stédile, sendo Cachoeirinha a maior base do partido no Estado do RS. No entanto, sempre é bom ressaltar que, independente do jogo partidário, a luta popular e as suas respectivas pautas são completamente legítimas, embora a coligação que governa o município tente deslegitimar toda e qualquer resistência dos de baixo.

O desafio que sempre esteve na ordem do dia é o de garantir, além da independência de classe, a permanência e coordenação ao longo do tempo dessas expressões de resistência do povo em luta na região, pois há inúmeros processos que resultaram dispersos após a conquista da necessidade imediata. Isso sem falar na fragmentação por força da cooptação e da intimidação.

Entre esses processos de resistência temos exemplos recentes que vão desde a vitoriosa luta contra a privatização da água em 2010 reunindo diversos sujeitos e tendo na comunicação popular o catalisador da revolta; as ações diretas com algumas vitórias pontuais da Frente de Luta pelo Transporte Público nos anos de 2012, 2013 e 2014; a conquista da moradia pela comunidade Arinos de Gravataí em 2014 e as lutas pela água de diversas comunidades; a resistência dos trabalhadores municipários de Cachoeirinha por meio do sindicato da categoria, sendo a oposição política de mais expressão e estabilidade ao longo dos últimos sete anos.

Porém, longe de simplesmente contar histórias onde o anarquismo operou como motor desses processos de luta na região, queremos fazer memória dessa resistência para que, a partir da experiência política acumulada, possamos superar os limites que foram comuns a essas lutas. Até mesmo porque na atual conjuntura onde partidos com origem de esquerda e hoje estão no governo federal aplicando as medidas de ajuste fiscal, não representam alternativa de poder real para solucionar as demandas dos de baixo, pois o aparente engajamento e dedicação militante tem prazo de validade até a disputa eleitoral de 2016. Portanto, fazemos essa reflexão e análise para debate junto as companheiras e companheiros que constroem conosco no dia a dia a necessidade de engajamento para mudança e transformação desse sistema de dominação que em nossa região opera com algumas características singulares.

A luta da saúde é uma pauta comum dos usuários e trabalhadores do ramo

Nas últimas semanas em Cachoeirinha, a pauta da saúde tem sido protagonizada pela periferia que luta contra o fechamento e a reestruturação arbitrária das Unidades Básicas. A ação direta realizada em frente è prefeitura municipal e que ocupou por iniciativa popular o gabinete do chefe do poder executivo pra fazer pressão, rendeu no dia seguinte a promessa do Secretário de Saúde de manutenção das atividades dos postos sem cessar o atendimento. Vitória parcial do povo organizado. No entanto, o desafio neste momento é colocar em movimento usuários e trabalhadores do ramo, pois as ações antipopulares do governo municipal são apenas parte da estratégia de tratar o serviço de saúde como um negócio privado. Isso irá afetar tanto a comunidade quanto os trabalhadores do ramo, pois a lógica a ser implantada é a da meritocracia, do fazer mais com menos recursos e impor ao trabalhador a disputa competitiva sob o engodo da premiação por produtividade. Portanto, é urgente e necessário unificar os interesses dos trabalhadores e usuários numa perspectiva classista.

A luta pelo transporte público é das comunidades, dos estudantes e dos rodoviários

O piquete da última sexta-feira em frente à garagem da Transcal durou bravamente mais de cinco horas, inviabilizou a circulação dos ônibus na região metropolitana na região e ganhou repercussão em todo o Estado do RS. Foi uma experiência ímpar de enfrentamento direto com a patronal do transporte, tendo a comunidade como sujeito protagonista desse processo que enfrentou sem medo a intimidação truculenta da empresa e da Brigada Militar. Na pauta de reivindicações, para além da revolta em virtude da redução dos horários e mudança de itinerário de algumas linhas, incorporaram-se solidariamente demandas dos trabalhadores rodoviários que não são defendidas pelo sindicato metropolitano, tão pelego e mafioso quanto o da capital. Como conquista imediata obteve-se o retorno do itinerário comum da linha que circula pelo bairro Granja Esperança naquele mesmo dia. As demais pautas ficaram na promessa de serem atendidas pela empresa até a próxima semana, mas todos cientes da necessidade de manter a mobilização permanente para pressionar a Transcal no cumprimento dessas demandas. O cenário deste próximo mês torna imprescindível a necessidade de unificar a luta pelo transporte público desde as comunidades, dos estudantes e dos trabalhadores rodoviários, pois está anunciado o aumento das passagens de ônibus concomitante ao dissídio da categoria, tanto a nível municipal, quanto na região metropolitana. Sabemos que a empresa irá tentar justificar o aumento jogando trabalhadores contra usuários, portanto, essa experiência recente do piquete abre um precedente na luta pelo transporte público de aliança entre os distintos segmentos e que deve ser mantida a todo o custo.

A luta pela água é contra a privatização do saneamento

Como parte das lutas na região, as diversas mobilizações da comunidade no ano de 2014 em virtude da falta da água expuseram a precariedade dos serviços prestados pela CORSAN. Estivemos dentro desse processo, porém com uma linha firme de defesa do caráter público do serviço e contra a privatização: http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=245

Naquela circunstância o prefeito Marco Alba já insinuava o rompimento do contrato com a CORSAN para abertura de licitação e privatização do saneamento. Nessa semana, porém, num cenário distinto em relação ao do ano passado onde vivemos um considerável descenso das diversas lutas na cidade, o prefeito do PMDB anunciou que fará o rompimento do contrato com a CORSAN. Está na ordem do dia, portanto, o movimento popular e sindical tomar parte dessa pauta sob o risco de sofrermos uma enorme derrota enquanto classe.

Potencializar a luta sindical para além do corporativismo e coordenar as lutas na região para fortalecer o poder dos de baixo

Diante do contexto de mobilizações nacionais contra as terceirizações (PL 4330) e o ajuste fiscal (MPs 664 e 665), que flexibiliza diversos direitos, como o seguro desemprego, a atual conjuntura torna-se ímpar para que as mobilizações locais ganhem amplitude e repercussão ao mesmo tempo em que serão fortalecidas. Nossa modesta força militante está atuante nesses processos de luta com uma linha e conduta coerente de fortalecimento do poder de baixo. Não trocamos nossa independência política por cargos e tampouco nos engajamos nas lutas com pretensões políticas-eleitorais. Nossa estratégia de mudança passa pela construção do Poder Popular que vem sendo gestado e criado a partir das experiências concretas acumuladas ao longo dos 20 anos que completa nossa organização. Está na hora de coordenamos as experiências de luta na região com critérios de independência, solidariedade de classe e protagonismo de base.

Todos à luta no dia 29 de Maio, contra a terceirização do PL 4330 e o ajuste fiscal das MPs 664 e 665!
Por uma coordenação das lutas na região para fecharmos o punho contra o inimigo de classe e superarmos a fragmentação!
Que a ofensa feita a um seja a luta de todos!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG – Organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
20 anos (1995-2015)
24 de Maio de 2015

Solidaridad con el pueblo Venezolano – Contra todas las formas imperiales, y más los yankis!

Fonte: http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/

No ha bastado un premio nobel de la paz ni las más artificiales aristas populistas para tapar o apenas maquillar el rostro aguerrido e incesante del imperialismo norteamericano. Obama, el hombre de la paz, no deja puerta entre abierta ni deja de prestar atención en América. La multifocalidad de control y atención de Estados Unidos sobre lo que acontece en el mundo no permite escape aparente a gran escala, aún con la concentrada dedicación político militar en medio oriente, Rusia, China.

Ha sido declarada Venezuela como enemiga de Estados Unidos mediante un decreto del propio Obama. Muchas preguntas surgirán buscando la retórica sobre cómo ese gobierno que ha incrustado su historia en guerras contra pueblos en todas partes del mundo, pueda cuestionar y salir como garante de un proceso de diálogo y todavía con el gobierno colombiano de aliado.

Claro que interesa el petróleo y la cuenca del Orinoco, claro que interesa mucho para norte américa controlar las nuevas alianzas que se tejen en el caribe con subsidios para países que el gobierno venezolano quiere promover como nuevos aliados comerciales. Claro que interesa todo lo que pueda significar un agotamiento de los recursos energéticos de China. Pero para llegar a eso se deben de nutrir de varias acciones. Acciones que van a orientarse hacia donde tienen los peores problemas: el campo de lo ideológico.

Lo han hecho con sabotajes de todo tipo y conspiraciones de cualquier alcance. Poco asombraría cuando hablamos de la presencia norte americana en América del Sur este hecho con la gravedad que reviste, y aún menos en Venezuela que mantiene en memoria no sólo el secuestro al ex presidente Hugo Chávez de entintada huella yankee, sino todo un largo recorrido de intromisión mediante agregados diplomáticos, culturales y militares de todo tipo, fundaciones y ONG truchas bancando la oposición, y los etcéteras más conspirativos y asesinos que estas historias ameritan.

Todo pareciera indicar que en esta etapa se han enriquecido mucho más las relaciones y acciones entre la derecha latinoamericana y EEUU. Hablamos de la derecha rancia latifundista y apoderada de los medios de comunicación; la derecha que no tolera ni permite el avance en materia de derechos humanos, la que inviste de impunidad todos los territorios en pasado y presente. Los aterrizadores de lo que fuera el neoliberalismo de comienzos de los años 90, son ellos los que crítican y buscan exterminar las asistencias sociales, las ínfimas políticas de atención en salud, la continuidad ultranza de las privatizaciones en su versión más radical. A ellos los ha tocado bastante la ley de medios en Argentina y la detención de los torturadores y genocidas del plan cóndor. A ellos les molesta y muchísimo las detracciones en la producción agropecuaria, que les toquen un solo centésimo aunque acumulen millones por día.

Y allí como si nada y sin recoger piolines sobre su pasado reciente y bien recordado Obama, el ejecutivo norte americano, no solo declara enemigo a Venezuela sino que se ofrece como garante a las negociaciones. Esas negociaciones entre partes del gobierno y la derecha de ribetes golpista y con observadores como EEUU y Colombia. No buscarán otra cosa que adelantar las elecciones nacionales o habilitar algún mecanismo desestabilizador, coleteo mediante y constante de los servicios de inteligencia CIA. Nada le vendrá mejor que intervenir desde allí, desde su propio seno donde la confrontación popular también sale a las calles.

Y hay algo que EEUU no quiere, y no es menor, hasta podríamos decir que es lo neurálgico del asunto en cuestión. ¿Sólo le interesa al poder de Obama una administración distinta del petróleo del Orinoco?, ¿Contra qué y quiénes deberá dar la batalla última y definitiva?. La preocupación sin duda desde el ángulo ideológico es la resistencia a la total dependencia yanqui que significan los diferentes bloques políticos formados en esta área. Bloques que aún desde una misma estructura capitalista quieren más independencia respecto a los yanquis. Eso es lo que precisamente molesta al gobierno de la Casa Blanca de Washington. Quieren disponer de su patio trasero a su antojo y en coherencia con su estrategia de gendarme mundial y de disponer de las riquezas de estos lugares sin resistencia de sus subordinados.

No podrán mientras el pueblo reivindique su soberanía y autodeterminación. Soberanía que no admite espacio para la ingerencia asesina de la historia negra de la CIA y las políticas imperiales norteamericanas. No hay lugar para ello con un pueblo fuerte, empoderado, con memoria. No hay sitio para la conformidad y sí para la resistencia. Así lo indican los medidores de opinión que hasta los que más se corresponden con CNN, New York, y Washington indican que existiría un rechazo casi total, unánime, en la población venezolana a una intervención colonialista norteamericana. Algo hay allí, algo se ha producido que se puede ver, algo ha dado contenido a tanto tiempo de opresión y saqueo.

Porque es un enemigo claro el imperialismo norteamericano, el que recuerdan nuestros pueblos desde la memoria inmediata hasta las anteriores. Y es bastante lo que en estos momentos se sale a defender en Venezuela, aunque las más rotundas críticas puedan decir que se trata de un puñado, un manojo de conquistas populares, a fuerza sí del movimiento popular. Ellas también en clave de empoderamiento de los de abajo y en los barrios obreros.

Basta de intervención norteamericana en América!.

Contra todo imperialismo, y más el norteamericano!.

Por procesos populares que apunten desde abajo a la construcción de un pueblo fuerte!.

Arriba los que luchan!!

federación Anarquista uruguaya

1º de abril de 1964, a data que não podemos esquecer e a ideologia que seguimos combatendo

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Fazer memória ao golpe militar levado a efeito em 1º de abril de 1964 com o amplo apoio das elites e do empresariado nacional e internacional é dever de todo campo da esquerda que se reivindica combativa e, especialmente, do Anarquismo organizado que desde os primórdios tem estampado no alto da sua bandeira a luta contra todas as formas de opressão representadas pelo Estado, pelo capital e pelos lacaios de farda que lhes dão sustentação. Para além de fazer a denúncia e trazer a tona à memória da barbárie sem escrúpulos materializada nos sequestros, desaparecimentos forçados, torturas e assassinatos que se tornaram lugar comum durante os longos 21 anos de chumbo é fundamental que se aponte as heranças desse período. Heranças essas evidenciadas objetivamente no judiciário e nas ações militares das polícias que seguem fazendo da história fato presente através da criminalização da pobreza, do protesto, das perseguições às e aos que lutam, das torturas, dos assassinatos, dos indiciamentos sem provas, das condenações políticas, entre tantos outros fatos que fazem da memória histórica subsídio para pensar e atuar no presente.

Para nós é fundamental fazer memória as e aos que tombaram lutando contra o arbítrio e a opressão do Estado ditatorial, não apenas pela necessária lembrança e reconhecimento, mas também pela força que o elemento de luta e de resistência carrega em si. Se ontem foram eles que através da organização resistiam e lutavam contra a ditadura escancarada, hoje segue posto para nós seguir combatendo o Estado e suas heranças ditatoriais que mantém a gênese autoritária e opressora muito viva, mesmo escondida sob mal camuflada democracia. O Estado continua servindo como aparelho de classe para manutenção dos interesses dos “de cima”, da mesma elite podre que apoiou a ditadura. Longe de querer comparar o período ditatorial e a exceção permanente tornada regra com o cenário que vivemos hoje, é fundamental que a memória daqueles tempos tome lugar nos nossos debates e nas nossas lutas cotidianas. Essa atitude tem potencial efetivo para garantir acúmulo de forças para a luta dos “de baixo” e para que opressão – em todas as suas formas – tenha fim.

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É muito difundido entre amplos setores sociais o entendimento sobre o que representa e o que representou a ditadura empresarial-militar para a história do Brasil, bem como para a história dos países do cone sul. Contudo, muito devido à timidez de parte da esquerda em fazer essa denúncia, da dificuldade de criar espaços de difusão das memórias do período ditatorial e, principalmente, pela ausência de punição aos agentes da ditadura e aos seus cúmplices, que ainda pairam muitas dúvidas e desconhecimentos entre o grosso da população. As disputas que atravessam o tema da ditadura bem como as heranças daquele período que seguem presentes nos dias de hoje estão intimamente ligadas às práticas de esquecimento e à ausência do elemento de justiça na tríade composta por memória e verdade.

Se torna ineficiente tocar nesse tema apenas em datas pontuais. Os exemplos dos demais países que passaram por ditaduras nos ensinam desde há muito tempo que é a organização desde as ruas, sindicatos, escolas, locais de trabalho que impulsiona o debate social e que pode garantir a punição aos crimes cometidos pelos agentes e apoiadores da ditadura. Que em nossos atos e em nossas lutas se façam sempre presentes àquelas e àqueles que lutaram e em muitos casos entregaram suas vidas para que hoje pudéssemos falar, distribuir, ler e opinar sobre a covardia que é uma ditadura.

Ontem e hoje, seguir organizando, resistindo e lutando com os “de baixo”!

Arriba todas e todos os que lutaram e todas e todos que seguem lutando!

Pelo socialismo e pela liberdade!

Federação Anarquista Gaúcha – Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Contra a trapaça político burguesa e o arrocho da vida dos trabalhadores

Logo Opinião

O mal estar corre nas ruas do país. A recessão econômica e as amargas medidas do governo Dilma/PT a nível federal e Sartori/PMDB a nível estadual buscam salvar os lucros de banqueiros e empresários, cortando direitos, investimentos e aumentando o custo de vida sob o farsante argumento de que o momento é de “sacrifício para todos”. Aliado a isso tudo, o cheiro podre da corrupção sistêmica impregnado no ar, em que se articula uma complexa constelação de interesses e “escândalos” que envolvem desde os partidos da coalizão governista como aqueles da oposição de direita, grandes empresas e banqueiros e os grandes conglomerados de comunicação.

Aécio-com-Dilma-no-Congresso-dez-2013-FolhapressA operação Lava Jato da Polícia Federal trouxe à superfície um esquema bilionário de saque e espoliação dos recursos da Petrobrás, um trapaceiro “toma lá da cá”, operado por políticos e empresários pra financiar campanhas eleitorais e privilegiar negócios privados. No entanto, nem só de “Lava Jato” e “Petrolão” se alimenta esse artifício estrutural na política brasileira, a corrupção. Recentemente, o chamado “escândalo” do HSBC tem revelado uma complexa rede internacional de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em paraísos fiscais na Suíça, administrada pelo próprio banco. Entre os implicados brasileiros encontramos os principais conglomerados de comunicação, como a rede globo, bandeirantes, o grupo folha e abril. Daí que esse caso não é motivo de alarde nos chantagistas telejornais de grande audiência.

Depois de ganhar as eleições por um fio, o governo Dilma desmonta a tática de marketing por esquerda (pra não perder eleitores desiludidos) e chama os quadros do sistema financeiro, da patronal e do agronegócio para afiar a faca do ajuste fiscal e do tarifaço contra o povo.

Vida cara e precária. Arrocho nos trabalhadores.

A promessa do capitalismo brasileiro, que vinha crescendo pela mão de uma desapropriação violenta dos bens comuns, pela dominação dos capitais do agronegócio, mineradoras e empreiteiras, quebra a cara com a queda do preço das “commodities” e da desaceleração do capitalismo chinês. As idéias triunfalistas de um país de classe média, puxado pelo consumo e o endividamento de massas, pelos empregos precários e a inclusão dos pobres como sujeito flexível do mercado, mostram sua fragilidade e já entram em desencanto em amplas camadas de trabalhadores do país.

A classe operária vive de novo as demissões na indústria e na construção civil. Só no ramo de autopeças a patronal prega mais uma chantagem, exigindo infinitos incentivos fiscais e flexibilização de direitos, ameaçando em caso contrário com 30 mil demissões ao longo do ano. A falta de água e luz cria calamidade nas periferias urbanas e o preço das contas de energia, da alimentação e dos serviços aumentam mais que a renda dos trabalhadores. A mudança de regras do seguro-desemprego e do acesso a benefícios previdenciários corta direitos e coloca sobretudo uma classe trabalhadora jovem e localizada em empregos precários (terceirizações, telemarketing, construção) em uma situação de maior vulnerabilidade e risco. Agora, as patronais sanguessugas podem demitir hoje e recontratar amanhã para se livrar dos encargos e assim engordar ainda mais seus lucros.

Os impostos castigam o consumo dos setores populares e médios, enquanto aliviam os ricos, donos de empresas e grandes fortunas. Em contrapartida a saúde e a educação pública seguem sucateadas, o transporte coletivo é péssimo, a justiça criminaliza a pobreza e a polícia é racista e mortal nas vilas, favelas e subúrbios.

Os precarizados, a massa dos trabalhadores brasileiros, alçados como modelo do regime de trabalho flexível e super-explorador, sujeitos de uma rotina de pesados sacrifícios, dão sinais de cansaço e irritação. A patronal, não satisfeita com os inúmeros incentivos vindos dos governos, quer mais trabalho precário e pressiona o governo pela lei de terceirizações.

A insatisfação cresce por todos os lados e chega a transbordar para além das velhas estruturas, normas e regras que o sistema oferece para sua canalização. Insatisfação representada por um sentimento difuso que, entre outras coisas, expressa rebeldias que vem de baixo.

Eles são todos sócios da trapaça burguesa-politiqueira.

A Lava Jato não fez nenhuma descoberta extraordinária. Ela volta a pôr em evidência um modo suprapartidário de governar que não toca nos privilégios das oligarquias, no poder dos grupos econômicos e financeiros e no regime ideológico das práticas institucionais. Trata-se de corrupção sistêmica. Como já dissemos outra vez, quem governa com o sistema, pelo sistema é governado.

Os partidos, os políticos, as burocracias, as empreiteiras, os bancos e os lobistas corporativos são todos sócios na corrupção e na impunidade. Uma mão lava a outra e todos tem sua vez. Quem não pactua não governa.

Na concepção liberal burguesa, a representação sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e dos bens comuns pela vontade das minorias. Por isso que para defender a Petrobras e o patrimônio público a luta dos trabalhadores e do povo deve superar o controle burocrático estatal. Tem que ser uma luta para avançar na gestão direta do patrimônio público, pela mão das organizações operárias e populares.

Qual direita cara pálida?

protesto_diego-648974O agravante desse escândalo é que o PT, do mensalão de 2005 somado ao trambique com as empreiteiras na Petrobras, se afunda de vez na vala comum da política burguesa. E não é a esquerda que se degenera, como quer fazer passar o discurso monopolista da grande mídia e sim um PT domesticado pelo poder conservador das instituições e que cultiva entre os seus aliados, funcionários e políticos de carreira, um patrimônio formado pelos valores, as técnicas, os discursos e a bagagem ideológico-cultural da direita, daqueles que tomam o lado das injustiças e desigualdades da ordem burguesa.

O governismo vive os piores dias na sua carreira de partido da ordem. Enquanto o PT evolui na direção do centro e da direita, governa entre tropeços e comendo na mão das oligarquias. Já o outro setor da direita de partidos como o PSDB e DEM que figuram como oposição, pra não perder o bonde, se reagrupa e faz barulho aliado com as posições mais conservadoras e ultra-reacionárias.

Os grupos monopolistas que controlam a mídia de massas, em que pese terem sido favorecidos por verbas publicitárias, desonerações fiscais pelo governo e vista grossa pelas suas diversas sonegações fiscais, engrossam o caldo do oportunismo. Por um lado empurram as “verdades” da direita, travestidas de um discurso econômico “técnico” e pretensamente objetivo que defende a fatalidade do ajuste fiscal e por outro, surfam no discurso da corrupção para quebrar a moral de toda esquerda classista pela vidraça do PT.

O antipetismo que se manifestou massivamente nas ruas de todo o país no dia 15 de março, como há muito não acontecia, foi convocado por grupos da direita, partidos e formações liberais-conservadoras, as grandes mídias e seus “intelectuais”, setores evangélicos fundamentalistas e a fuzilaria ultra-reacionária de saudosistas do golpe de 64. Por sua vez, essa convocatória também foi capaz de sensibilizar parte expressiva dos trabalhadores, justamente indignados com os intermináveis casos de corrupção, pela estafante vida nas grandes cidades e o aumento no custo de vida. Hoje estes setores da direita já ensaiam uma qualificada disputa pelos rumos do descontentamento popular.

É preciso que se diga, sem meias palavras, que foram encorajados pela capitulação dos sucessivos governos petistas, que se ajoelham aos agiotas do sistema financeiro, sentam no colo das velhas raposas da oligarquia lideradas pelo PMDB e se atolam no balcão de negócios do Planalto, do Congresso e das estatais.

Outra ideologia, outras práticas para construir um povo forte.

A política que não avança na relação de forças contra o poder dominante deixa terreno a ser ocupado. O projeto histórico da frente de centro-esquerda liderada pelo PT, depois de alcançado seu objetivo de chegar à presidência da república, deixou plantada uma desorientação que não é fácil de medir. O avanço da direita na aliança governista e na oposição das ruas, assim como o sentimento confuso de setores populares entre fogo cruzado nos dão hoje uma amostra do lastro político-ideológico dessa trajetória.

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A experiência do PT, na busca e na conquista do governo, integrando-se nas instituições e nas regras do jogo, trouxe uma mudança importante na cultura e nos valores da esquerda. Aqueles sonhos e esperanças que foram mobilizados e produziam um sujeito de cambio que lutava em todas as frentes do povo para transformar o país e construir socialismo, foram esmorecendo. Muitos militantes do trabalho de base viraram os arrivistas de gabinete, ratos de aparelho. Quando muito, os teimosos foram simplesmente ignorados e substituídos pelos técnicos de gestão ou funcionários burocráticos da máquina. Sindicatos e movimentos sociais trocaram a independência da classe trabalhadora por cargos e ministérios, se fizeram gestores de fundos de pensão, assessores empresariais e linhas auxiliares do governo. Um processo que não se iniciou com a conquista da presidência, encontrando raízes ainda na década de 1980.

Essa subjetividade muito apegada a disputa de cargos e direções do aparelho e que põe o partido antes das lutas da classe, também fez escola entre a esquerda que não foi a reboque.

As relações de poder que encontram nessa conjuntura o suporte das idéias e os movimentos da direita têm haver, em grande parte, com esse processo histórico de desarticulação de forças sociais que amarga o campo classista. A colaboração de classes, a burocracia e o governismo desarmaram as organizações sindicais e populares, dividiram as lutas e as atrelaram ao estado. Formaram uma ideologia que reproduz as práticas das instituições burguesas, que faz do povo um sujeito que espera pelo que vem de cima.

Mudamos tudo ou não se muda nada.

Não formamos parte corrente do impeachment e tampouco as fileiras da tropa de choque do governo. Essa polarização que procura capturar as rebeldias que vem de baixo, definir e qualificar a luta social segundo as suas idéias, é o palco da briga entre elites e classes dominantes, uma briga entre vizinhos de condomínio privado, onde aos de baixo cabe, quando muito, o papel de simpáticos figurantes.

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É preciso ter clareza na análise e firmeza em nossos princípios classistas para não entrar no brete que os de cima tentam nos impor, onde tanto o bando governista como o bando da oposição de direita tentam insinuar que estamos fazendo o papel de linha auxiliar de seu “rival”. Nosso caminho não tem saída por cima e busca agrupar forças sociais para atravessar sem fraquejo uma etapa de resistência e fragmentação. Unidos com os setores classistas e os movimentos sociais que vem de baixo, contra o tarifaço, o ajuste fiscal e o passo abusado das direitas. Sem confiança na “mágica” dos acordos de cúpula, seja qual for a procedência. Fazer crescer junto com a insatisfação social as rebeldias do povo, a ação direta, a solidariedade, a participação popular. Reorganizar o tecido social para lutar nas ruas, nas greves e ocupações, desenvolvendo as organizações de base como os núcleos fortes do poder popular. De baixo pra cima, com federalismo e democracia de base, criar os músculos da frente dos oprimidos capaz de construir uma mudança real que Socialize a riqueza e o poder.

CONTRA A TRAPAÇA DOS RICOS E O ARROCHO DO GOVERNO E DOS PATRÕES! ORGANIZAR A REBELDIA DAS RUAS, GREVES E OCUPAÇÕES!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG / 20 anos!!!

Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

Não se intimidar, não desmobilizar! Toda nossa solidariedade ao companheiro Vicente!

Janeiro de 2015, às vésperas da retomada das lutas contra o aumento das passagens e em defesa de um transporte 100% púbico em Porto Alegre, recebemos a notícia da sentença dada ao companheiro Vicente, militante da FAG e lutador social do Bloco de Luta pelo Transporte Público de Porto Alegre. Vicente está sendo condenado a um ano e meio de prisão por dano ao patrimônio público e crime ambiental, “crimes” que teria cometido em Abril de 2013 durante uma manifestação do Bloco de Luta em frente a Prefeitura de Porto Alegre. Trata-se da primeira condenação em Porto Alegre e para nós uma clara tentativa de intimidar e colocar medo no conjunto de lutadores e organizações que estão rearticulando as lutas nesse início de 2015. Um expediente político e histórico utilizado pelos setores dominantes de nossa cidade e de todo o mundo: o encarceramento dos que se levantam. Não nos desmobilizaremos e a nossa solidariedade será militante e nas ruas!!!

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E a criminalização continua…

O fato de a condenação nos ter sido comunicada apenas uma semana antes do primeiro protesto do ano do Bloco de Lutas pelo Transporte Público é tudo menos uma obra do acaso ou de um processo regular do poder judiciário. Inicia-se o ano e ao mesmo tempo se começa a mexer nos processos que estavam tramitando desde 2013: adicionando nomes à alguns, novos crimes à outros. O processo neste contexto busca ter o mesmo efeito de uma bala de borracha ou de uma bomba de efeito moral: uma tentativa de intimidar e freiar as lutas nas ruas que ousam questionar os lucros dos empresários e os conchavos já evidente das empresas com os poderes públicos.

A situação está longe de ser apenas uma situação local: quem achou que a conjuntura de criminalização havia se esgotado em virtude do descenso das mobilizações de rua após a Copa do Mundo em 2014, a recente movimentação dos governos e dos aparelhos repressivos indicam o contrário. Em São Paulo, Rio de Janeiro e uma série de outras cidades no Brasil que iniciaram o ano com mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus a repressão tem usado dos mesmos expedientes contra os manifestantes: gás lacrimogênio, bala de borracha e detenções arbitrárias. O carioca Rafael Braga Vieira, que era até então o único condenado dos protestos de junho de 2013 continua preso e em Porto Alegre os processos voltam a ser movidos, novos nomes são inseridos e agora a primeira sentença é dada, sem prova alguma. É a velha justiça burguesa tomando lado em uma luta entre opressores e oprimidos que está longe de acabar.

Contudo, a luta e organização dos de baixo não começou hoje e também continuará. Mobilizam-se os jovens, os trabalhadores, os sem tetos e as comunidades de periferia. As mobilizações de rua de 2013 abriram novas possibilidades na gestação de experiências organizativas e de luta que o conjunto da esquerda combativa e anti capitalista precisa ajudar a fomentar e impulsionar, descartando as velhas práticas vanguardistas, sectárias e impositivas que infelizmente ainda permeiam discursos e práticas de muitas organizações. Acreditamos que só assim podemos criar força social que desde baixo vá gestando mecanismos de auto-organização e cravando em seu horizonte a necessidade de transformação social do conjunto da sociedade. Uma verdadeira frente de oprimidas e oprimidos solidária a todo e qualquer companheiro preso, torturado, assassinado e desaparecido.

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2015: avançar em organização, cercar ainda mais de solidariedade @s que lutam!

A seletividade do sistema penal também se torna evidente neste caso. Ao longo desse processo que começa com mais de uma dezena de acusados pelos danos realizados em uma manifestação com mais de mil pessoas, vimos arquivarem um a um todos os suspeitos, responsabilizarem o único rapaz negro de ideologia anarquista que estava entre os acusados e agora incluírem outro militante negro do Pstu. Sabemos que o motivo central dessa condenação é de ordem político-ideológica mas não podemos omitir o fato de que a cor negra dos acusados tem um peso importante.

Os últimos processos tiveram como destaque a criminalização contra os coletivos e movimentos anarquistas. Em 2013, tivemos os nossos espaços públicos invadidos e nossos livros recolhidos, passando por pesados processos de inquéritos onde o que era avaliado era nossa posição em relação a temas como autoridade, governo, forças policiais e outros assuntos caros à ideologia anarquista. Panfletos, cartazes e literatura foram anexadas nos processos, como se fossem provas circunstanciais que mostrassem algum papel de mentor intelectual da nossa ideologia nas depredações ou saques realizados nas manifestações de 2013, que contavam com mais de 50 mil pessoas em Porto Alegre.

O companheiro Vicente, assim como os demais militantes e lutadores de outras organizações, coletivos e ideologias, não foi o primeiro e não será o último jovem negro e anarquista a ser condenado nesse Brasil racista. São milhares de homens e mulheres negros/as e pobres exterminados e condenados diariamente pelas polícias militares e pela justiça burguesa e racista. É a elas e eles que nossa solidariedade militante é direcionada e será junto de cada trabalhador/a que cerraremos nossos punhos. Não nos intimidaremos e em cada marcha de rua, piquete, greve, ocupação estaremos ombro a ombro com todos e todas que lutam!

Solidariedade à todos e todas companheiros e companheiras perseguidos por lutar!

Pelo fim da polícia militar!

Nossa ideologia anarquista não se presta a caricaturas!!!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Aos povos do campo, da cidade e da floresta: nossa Solidariedade!

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O povo ganhou as ruas no período pré-eleitoral e os efeitos sociais produzidos vão muito além dos resultados eleitorais expressos na composição ministerial mais conservadora, dando largo e expressivo poder ao Agronegócio e as corporações que o constituem realocando seus interesses e projetos de continuidade de dominação. Esta reorganização respingou também nas disputas e novas composições governamentais.

Chegar ao fim de mais um ano e novamente não ter o que comemorar: eis a dura, trágica e histórica realidade dos povos indígenas e quilombolas deste país. Se aprovada a PEC 215/2000 promete empurrar os povos originários à literal necessidade de defesa nesta guerra milenar por seus territórios ancestrais e pela manutenção dos poucos direitos conquistados a custa de muita luta, suor e sangue. Para que fique nítido, essa PEC (Proposta de Emenda à Constituição) prevê a mudança em relação aos órgãos competentes pela homologação de territórios indígenas e quilombolas, tirando do INCRA e FUNAI a atribuição das demarcações e transferindo para a matilha do Congresso Nacional essa responsabilidade. O mesmo Congresso que age com truculência e indiretamente assassina os corpos e a cultura de nossos ancestrais. Isso significa que toda e qualquer demarcação de terras deverá passar pelas mãos sujas e corruptas da bancada ruralista para ser aprovada (ou sempre desaprovada), de maneira que os processos demarcatórios continuam totalmente parados.

Frente à judicialização e criminalização dos que fazem a luta pela terra e pela floresta, o acirramento das lutas em defesa das titulações dos territórios originários. O derramamento de sangue e as desaparições seguem sendo arquitetadas pela aliança entre latifundiários, politiqueiros e empresários que tem como único interesse o extermínio dos bens naturais para o uso privado do projeto de morte que visa apenas expandir seus lucros através do modelo colonial agroexportador (soja, minérios, carne).

O período de falsas promessas e falácias sobre a igualdade das urnas e votos passou; falácias sobre o socialismo elitista que não geram ilusões na maioria da população. É preciso fortalecer nossas ações na perspectiva do Poder Popular, rompendo o cerco do isolamento que sofrem nossos territórios através da solidariedade, da denúncia, da informação e atuação permanente junto ao nosso povo. Se os ataques feitos aos povos originários são feitos pelas mãos dos de cima, o que resta a nós os DE BAIXO é fechar o punho e resistir ombro a ombro lutando em defesa dos territórios, dos bens naturais e das culturas ancestrais.

Em todas as comunidades do campo, cidade e floresta há a permanente necessidade de criar e organizar novas formas de resistência, seja combatendo o avanço das plantações com veneno ou enfrentando a especulação imobiliária. A força das Jornadas de Luta não ficou restrita a junho. Ganhou visibilidade e solidariedade de muitas partes do mundo e o espaço que tomou no imaginário social gerando noções sobre a capacidade de auto-gestão, de luta permanente, de descrença no sistema e de confiança nos movimentos sociais como geradores do poder necessário para as reais conquistas, é o que pode possibilitar avançarmos para um modelo de sociedade que a vida tenha real valoração.

Continuar a luta dos pobres do campo, da cidade e da floresta.

Pela demarcação, titulação e defesa dos territórios indígenas e quilombolas!

Contra a PEC 215/200.

QUANDO OS DE BAIXO SE MOVEM, OS DE CIMA CAEM!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

Lutar e vencer fora das urnas – Opinião Anarquista sobre o 2º turno das eleições

Outubro de 2014

Os resultados parciais das eleições para o governo federal em 1° turno repetem a polarização entre o PT e o PSDB dos últimos 20 anos. Votos brancos, nulos e abstenções chegaram perto de alcançar 30% dos eleitores. O congresso nacional teve pouca renovação e posições conservadoras lograram um avanço. Ao que tudo indica o governo Dilma terá no próximo dia 25 de outubro uma disputa apertada com o candidato Aécio Neves.

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Em nosso Ato Público de 20 de setembro reafirmamos que a via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos, pelos mecanismos conservadores do Estado e pelos oligopólios da mídia para fazer mudanças que atinjam as estruturas do poder dominante. Trocando em miúdos, quem faz carreira e se habilita a governar com o sistema, pelo sistema é governado. O espaço de manobras da política dentro das instituições e as relações de poder que a fazem funcionar é marginal e controlado para que nada saia da ordem de coisas estabelecida.

Com isso, não fazemos vista grossa com o que tem de específico e singular entre os candidatos e os partidos da democracia burguesa. A rigor está fora do panorama das eleições presidenciais um projeto reformista, por esquerda, no sentido clássico. O que vemos são variáveis administrativas, modos de operar a máquina que ao final não põem em causa as suas engrenagens, não questionam, ainda que timidamente, as suas regras de funcionamento.

Os governos Tucanos foram a mão pesada do neoliberalismo no Brasil. Dirigiram o ingresso violento do país nos circuitos ideológicos e econômicos do mercado capitalista globalizado. Privatizações de bens públicos, arrocho salarial, recorte de direitos sociais, desemprego de massas e desmonte dos serviços públicos fizeram parte de seu expediente. Em que pese toda rejeição popular suscitada, a direita logrou impor no fundamental os seus estabilizadores da ordem. O que se chama pelo nome de estabilidade econômica é, antes de tudo, a produção de um consenso conservador que tomou de assalto o discurso político e fez recuar posições de esquerda até o ponto de fazer o seu setor majoritário renunciar as pautas mais caras da classe trabalhadora e se integrar ao poder como mais uma peça funcional.

dilma-aecio_1_0O PT governista, na sua escalada ao parlamento e, finalmente no governo central, é expressão de uma história de capitulação ao sistema. Esse processo não começa quando o Lula chega Lá, mas toma definições no curso de uma linha que faz da política parlamentar e da carreira burocrática-institucional a sua escada. Que se consuma em 2002, com a declaração de fé da “carta ao povo brasileiro”, feita ao pé da bandeira da ordem e do progresso capitalista.

O período de 12 anos de governo petista possui elementos distintos aos dos dois mandatos do governo FHC. O PT cria governabilidade com uma política de alianças que atrai e divide setores oligárquicos da direita. Foi empurrado pra vala comum dos conchavos, lobbies, propinas, caixa dois entre tantos esquemas de desvios de verbas públicas e favorecimentos de negócios privados. Na sociedade organiza um pacto social que faz chegar mecanismos de governo nas duas pontas da estrutura de classes. Faz política de crescimento dos ganhos do sistema financeiro e dos grandes capitais e, junto a isso atende com programas sociais os mais pobres que estavam desassistidos de políticas públicas, incluindo os setores populares no mercado via consumo. Contudo, deixa de fora o combate às estruturas de concentração da riqueza e do poder e medidas que atuem nessa direção como a taxação das grandes fortunas, redução da jornada de trabalho sem perdas salariais, fim da terceirização, reforma agrária e urbana que ataque a concentração fundiária e a especulação imobiliária, etc.

O governismo petista conduz ideologicamente a um desarme do projeto independente das organizações e das lutas das classes oprimidas. Quebra a unidade de classe e planta confusão, ambições e valores que formam um perfil técnico-burocrático absolutamente estranho aos valores militantes de esquerda. Faz do sindicalismo oficialista aparelhos de transmissão da vontade do governo e co-gestores de fundos de pensão, quebrando toda a cultura organizativa e de luta com perspectivas de acumulação a um projeto de ruptura e transformando os tradicionais instrumentos de organização da classe em meros gestores burocráticos.

Esse processo de enfraquecimento progressivo da organização da classe trabalhadora atingiu níveis absurdos com a ascensão da coalizão pretensamente reformista ao Planalto, mas vem de antes, muito antes. Em que pese as inúmeras expressões de sindicalismo combativo e de base no seio da CUT ao longo dos anos 1990, podemos afirmar que nessa década, fundamentalmente após o lamentável desfecho da greve dos petroleiros de 1994, a CUT vem consolidando um fazer sindical alheio a sua base. Não são poucos os exemplos onde o aparato governista no movimento sindical atua de forma deliberada para desmobilizar e desmoralizar o conjunto dos trabalhadores.

Nesse sentido, o próprio PT é responsável por criar o estado de coisas que pode impedir sua continuidade enquanto governo. O Partido dos Trabalhadores não está enfrentando simplesmente uma ofensiva dos setores mais à direita, mas fundamentalmente a sua própria cria.

Organizar a rebeldia que vem de baixo

Nosso voto é NULO e ATIVO!

Enquanto anarquistas, não participamos no 1º turno e não participaremos nesse 2º turno das eleições com o nosso voto. Nosso voto foi e será nulo! Um voto nulo ativo, pois ativo é e será nossa militância cotidiana na organização independente dos diferentes setores das classes oprimidas. Enquanto anarquistas politicamente organizados na Federação Anarquista Gaúcha (FAG), apostamos na inserção social orientada estratégica e programaticamente e que dê passos concretos na construção do Poder Popular. Um esforço de fomento e impulso criativo no interior dos movimentos sociais e espaços de base da participação, iniciativa e protagonismo. Nas fábricas, oficinas, escolas, faculdades, bairros, no campo e na floresta.

CABNão temos nada a oferecer, hoje, àqueles e àquelas que pensam as eleições burguesas como um meio mais fácil, rápido e eficaz de resolução dos nossos problemas enquanto povo. O que temos a oferecer é um espaço de organização, um projeto coletivo a se construir no cotidiano das lutas por melhores condições de vida e um horizonte Socialista e Libertário. Não estamos falando de algo para um amanhã que nunca chega e sim da forja diária de valores combativos, de lutas por conquistas parciais no marco de conquistas estratégicas, de acúmulo de forças e de experiências coletivas que não são perdidas tão facilmente na troca de governos de turno.

Nosso voto é nulo, nossa militância ativa, constante e cotidiana!

Organizar a rebeldia que vem de baixo!

Lutar e vencer fora das urnas!

Ato político da FAG – Como votam os Anarquistas?

Realizamos no dia 20 de setembro Ato Político Anarquista em que compartilhamos com a companheirada presente alguns elementos de análise da conjuntura eleitoral que a nossa Organização tem discutido e apontado. Da mesma forma, foi um momento de fazermos pública a nossa linha política para a conjuntura eleitoral e para além dela. Abaixo é possível ver algumas fotos do ato e o discurso realizado sobre o tema.

Ou se vota com os de cima, ou se luta e se organiza com os de baixo!

De baixo pra cima se luta e se cria um povo forte.

Lutar e Vencer fora das urnas.

As mobilizações de massa da juventude que escreverem um pedaço da história recente do Brasil com as Jornadas de Junho ainda não tiveram um final. A explosão das ruas anunciada pelos estudantes-trabalhadores do regime flexível, sujeitos da rotina neurótica e estafante das grandes cidades, agravada pela deterioração dos serviços e dos bens públicos, não foi satisfeita. As urgências populares pela ampliação dos seus direitos continuarão em cena. São dramas brasileiros cotidianos, e ainda vão latejar muito. Terão que ganhar potência em organizações de base e com um federalismo que una as rebeldias e não se deixe capturar pelas instituições. Não serão as eleições e a oferta dos partidos da democracia burguesa que confortarão o mal-estar que provoca o sistema.

Os candidatos que lideram as pesquisas para presidente – Dilma, Marina e Aécio – não tem projeto pra fazer a mudança social que pode dar soluções definitivas e sem retrocessos às classes oprimidas. Por outro lado, o reformismo eleitoral não tem a menor adesão dos votos. E tampouco teria a liberdade de cumprir seu programa, nas regras do jogo institucional, se chegasse a representar algum perigo ao poder. A via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos e pelos mecanismos conservadores do Estado quando se trata de fazer reformas que atinjam as estruturas dominantes. As legendas de esquerda são coadjuvantes que emprestam verniz liberal-democrático ao Estado de direito das oligarquias e dos proprietários.

As eleições não possibilitam tomada de decisão estratégica sobre as pautas que motivaram os conflitos socais que tem vazão nesta etapa aberta da luta de classes. Os fatores conservadores do sistema deixam uma margem muito pequena para as manobras dos governos de turno. Pela formação histórica do Brasil e pela sua liderança no continente eles pesam ainda mais. O que está em disputa são gradações do modelo de gestão de um sistema dominado globalmente pelo capitalismo financeiro. O reformismo está fora de causa. Governar é, em primeiro lugar, fazer arranjos com as estruturas de poder que não obedecem ao voto.

O Estado não é uma máquina neutra que põe em funcionamento suas instituições ao gosto dos pilotos da vez. Na concepção liberal burguesa a representação sempre foi um mecanismo legitimador da usurpação das forças coletivas e bens comuns pela vontade das minorias. O Estado é o poder político das classes dominantes, o Estado oligárquico de direito, onde “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, como diz o ditado popular.

No sistema político brasileiro, quem não pactua com as oligarquias não governa. Quem não joga na moeda corrente das barganhas, dos lobbies corporativos, dos loteamentos de cargos e dos mensalões não faz base de apoio. O PMDB, maior partido do país que desde a nova república “sempre foi governo”, cobra fatura da estabilidade política dos pretendentes ao trono. Os gordos investimentos das corporações privadas formam uma bancada poderosa de industriais e ruralistas no congresso. A bancada evangélica faz vigília reacionária sobre os movimentos por liberdade e direitos civis.

O congresso nacional tem alto instinto de conservação, de impunidade, de causa própria. Nenhuma vocação pra mudanças de fundo, para a participação popular, para perder privilégios sobre a política nacional através de mecanismos de democracia direta.

A justiça e as forças armadas tampouco fogem da regra. São aparelhos da ordem que investem sobre a sociedade os juízos do direito burguês da propriedade e o monopólio da violência sobre os desajustados. A justiça que anistia os golpistas e os torturadores do regime de 64 é a mesma que manda prender negros e pobres e os espreme nas jaulas do sistema carcerário. Os milicos guardam o artigo 142 na constituição federal que lhes autorizam a suspensão da ordem legal. São, em última instância, o comando das polícias militares que são desaquarteladas e postas na rua durante os anos da ditadura civil-militar a reprimir, torturar e matar até os nossos dias. As forças armadas dobraram a república, fazendo recuar as demandas de memória, verdade e justiça contra os operadores do golpe de Estado. A Comissão Nacional da Verdade nasceu no governo Dilma com os pés amarrados, com os movimentos cercados, pra que nenhum carrasco do povo seja julgado.

As liberdades constitucionais de pensamento e de expressão são aparelhadas pelo poder oligopolizado dos donos dos meios de comunicação: cerca de 11 famílias. Elas tem o controle da produção das mídias de massa que pautam o cotidiano brasileiro, selecionam e hierarquizam o que acontece, regulam a qualidade da informação e fazem vetor privilegiado do sentido, do juízo público e dos valores que circulam. A concentração da mídia brasileira é patrocinada com verbas publicitárias do governo. Em 2012 a secretaria de comunicação da presidente Dilma deu R$ 1,7 bilhões para os oligopólios.

Os bancos e o sistema financeiro que dominam de fato ou de direito as autoridades monetárias mandam cortar gastos públicos para pagar a agiotagem da dívida pública, subir juros e deixar porteira aberta para os capitais especulativos. O grupo Itaú Unibanco que tem a herdeira Neca Setúbal como fiel escudeira de Marina Silva festejou lucros de mais de R$ 15 bilhões em 2013 durante o governo Dilma. Os lucros dos banqueiros não param de crescer.

Os grandes capitais produtivos são desonerados de impostos e recebem ajudas generosas do Estado. O petróleo do pré-sal é partilhado no leilão com as grandes empresas transnacionais do setor. O BNDES ajuda montadoras como Volks, Fiat, GM, patrocina fusão de corporações como Sadia e Perdigão, Oi e Brasil Telecom, alavanca as empreiteiras com as mega-obras, financia o pacote privatista de concessão de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias aos grupos privados. Tudo subsidiado com recursos do Fundo de Garantia dos trabalhadores e por endividamento do tesouro nacional.

A via eleitoral é bloqueada pelos poderes econômicos corporativos, pelo discurso de verdade dos oligopólios da mídia e pelos mecanismos conservadores do Estado quando se trata de fazer reformas que atinjam as estruturas dominantes.

No modelo atual, o governo dirige o Estado como financiador público do desenvolvimento capitalista privado, tomando dinheiro a altos juros da banca financeira. É uma política que leva a concepção ideológica do neodesenvolvimentismo, que procura ajustar com fundos públicos o crescimento de setores do capital ao lado de certo nível de emprego, programas sociais e crédito pro consumo de massas. Faz idéia de remediar as brutas desigualdades sociais que tem o Brasil com um pacto social, onde a classe capitalista puxa o carro e os setores populares tem uma participação residual e incerta. As ações sociais como o Bolsa Família, que atendeu 14 milhões de famílias em 2013, tem um orçamento dez vezes menor que o patrimônio das 15 famílias mais ricas do país, quem tem na sua lista seleta sonegadores de imposto como as organizações Globo e o grupo Itaú Unibanco. A expansão do ensino superior é feita a base de compra pública de vagas no mercado das universidades particulares, e de um evidente “pioramento” da qualidade da educação. A geração de empregos que o governo central estimula com generosas ajudas aos patrões está ligada a baixos salários e trabalho precário.

Pra conquistar soluções reais para o andar de baixo, que tenham direção inequívoca de uma mudança social, sem meias voltas, só com combate as estruturas de concentração do poder e das riquezas. Essa peleia não pode pedir bexiga pras oligarquias políticas, nem socorro dos milicos, nem edição honrosa do Jornal Nacional, nem tampouco colaboradores na Camargo Correa, no Bradesco ou na JBS.

O discurso do crescimento e do Brasil de classe média que foi a tônica do governismo está perdendo o embalo, não produz mais o mesmo encanto. De 2011 pra cá a roda da economia já não gira mais como antes. O crédito fácil que ativou durante um período o sonho do consumo de massas vai virando pesadelo da dívida. O ganho real dos salários é muito pequeno e os empregos precários e mal pagos. O custo de vida pega preço e os alimentos baratos perdem lugar pra pauta de exportações do agronegócio. Os serviços públicos não melhoram de qualidade. A integração relativa da base da sociedade de classes, como sujeito flexível dos controles do mercado, já não faz mais sentido em alguns setores.

Da conjuntura internacional não sopra nenhum vento a favor. A Europa, pra tomar um exemplo, enfrenta amargamente e sem prazo de vencimento a recessão, o desemprego e a pobreza. O alto mundo das finanças, onde nenhuma corporação capitalista foge do esquema, fez a farra e passou a conta para os setores médios e para a classe trabalhadora.

E o que dizer do RS, em que parece haver uma feroz disputa em torno de 2 projetos de sociedade? Só parece! O imaginário de tipo plebiscitário que as candidaturas de Ana Amélia Lemos/PP e Tarso Genro/PT vem suscitando e a representação que eles se fazem de modelos mais puros, fazem com que passe desapercebido o fato de que ambos projetos jogam conforme as regras do jogo e de que ambos nem de perto serão capazes de alterar as estruturas de poder do RS. Dívida pública que sangra os fundos públicos pra pagar o capital rentista; o poder do agronegócio na economia gaúcha, no desmonte das normas ambientais e sobre a agenda de investimentos em infraestrutura (portos, geradoras de energia) e a guerra fiscal da indústria para se apropriar de recursos do estado (fundopem) estão fora de causa nessas eleições.

Mas não precisamos ir tão longe. Com relação ao governo Tarso, basta lembrarmos de toda a repressão, criminalização e perseguição dos lutadores sociais do Bloco de Lutas, por exemplo. Das balas de borracha, dos mil gaseificados na esquina democrática, da cavalaria que corria a trotes de cavalo enquanto arrastava pelos cabelos jovens manifestantes. Das detenções arbitrárias após as manifestações. Da prisão e exposição na mídia de massa de professores do magistério estadual que participaram dos protestos. Das invasões e apreensões de sedes públicas e de casas de militantes socialistas. Dos discursos intelectualizados do governador relacionando anarquismo com fascismo.

E não só isso! Não podemos esquecer a paralisação das demarcações das terras indígenas e o descaso do governo Tarso com relação a esses povos e os conflitos que se acirraram entre indígenas e pequenos agricultores.

Por outro lado, há um possível governo Ana Amélia. Se é impossível não associarmos sua imagem com a administração da ex-governadora, a Yeda Crusius/PSDB, são condições diferentes as de agora. O PP (nacionalmente alinhado ao PT) é um partido que tem base forte pelo interior, que representa historicamente as oligarquias rurais e que provavelmente terá relações de força mais favoráveis na barganha que monta a base do legislativo. Trata-se de uma candidatura que conta com a preferência do grupo RBS onde foi funcionária de longa data. Além disso, a truculência com as lutas sociais tende a se intensificar ainda mais. A ascensão da candidata do PP é proporcional as baixas expectativas com reformas sociais e políticas públicas que resultam do “desencanto com o PT”, de uma sensação de ‘menos pior’ que é cada vez mais fraca de sentido.

Não se trata, portanto, de um projeto burguês contra outro das classes trabalhadoras. Ambos são projetos funcionais a lógica de dominação do capitalismo. Em ambos, prevalece a lógica do Estado como lócus privilegiado da política e das classes dominadas como sujeito passivo. Para o PT, as mobilizações de 2013 se bem expressam um descontentamento com o que ai está, não representam a possibilidade da gestação de algo positivo e construtivo e que aponte mudanças de fundo desde seu seio. Elas não fariam política verdadeira!

Aquilo que reclamaram as massas em junho de 2013 não ficarão por aí, mofando no expediente burocrático das autoridades, simulando pauta nos tramites e conchavos dos gabinetes, insuflando discurso pop na tribuna de um congresso picareta. Por um ou outro lado vão ganhar vazão de novo, não se acomodarão porque acusam demandas que não podem ser reprimidas o tempo todo pela polícia, tampouco esvaziadas por eleições que passam ao largo de mudanças estruturais enquanto que a vida precária e endividada dos de baixo continua.

Assim também serão as lutas que deram os setores populares atingidos pelas obras da Copa, 250 mil pessoas ameaçadas ou atingidas por despejo das suas casas, os populares das ruas que foram varridos pra longe do centro da cidade.

As greves rebeldes de base que atropelaram a burocracia sindical, a brava luta sem pelego e sem bombeiro dos operários dos canteiros de obras, dos transportes, dos garis. Dos trabalhadores que se defendem com empregos de baixos salários e péssimas condições de trabalho, terceirizações, regimes flexíveis de exploração do trabalho. A linha dos sindicatos combativos que não se curvam ao governismo e não fazem pacto com os patrões.

A dignidade das favelas que não se calam e exprimem a criminalização da pobreza, o genocídio do povo negro, a impunidade da polícia assassina.

A resistência dos pobres do campo ao saque do agronegócio, das mineradoras e o impacto das mega-obras que são tocadas pelas empreiteiras, o trabalho escravo, a violação dos territórios indígenas e quilombolas e a não reforma agrária.

O cenário de indeterminação aberto pelas jornadas de 2013 está longe de se definir. Ele pode esfriar por um momento, em conjunturas pontuais que jogam forte seus mecanismos de fantasia, como a corrida eleitoral. Mas não temos dúvidas que ele não acaba aqui.

Esse processo de lutas rebeldes produziram, entre tanta riqueza de valores e sentidos que gestam a experiência de um povo que abre caminho novo, vetores ideológicos de mudança que não se dissipam tão fácil. Dão passagem a uma geração que não se reconhece nas formas tradicionais de fazer política burguesa, que desconfiam da representação dos governos e parlamentos, do burocratismo sindical e dos partidos eleitoreiros. Que buscam formas de participação sem intermediários e se apropriam das redes sociais como fator de socialização em grupos. Que faz da forças das ruas e da ação direta de massas a sua expressão de potência. Está em processo uma nova cultura política, que excede os rótulos e as formas instituídas, que carrega sonhos e rebeldias que não tem mais referência com a construção de esquerda dos anos 80, o “Lula Lá”. Nós pensamos com muita humildade que a corrente libertária do socialismo tem muito a aportar, a ajudar a superar a insuficiência das ruas com sua sensibilidade anti-autoritária. A lutar e organizar com cabeça coletiva, democracia de base e com sentido revolucionário de povo.

Os anarquistas da FAG votarão nulo nas eleições de 5 de outubro. Como já afirmamos em outra oportunidade: pra mudar a sociedade, enfrentar o poder e suas classes dominantes, os atalhos do menos pior, do possibilismo, nunca conduzirão até outras relações de força para os oprimidos mudarem de vida. Não cremos tampouco que pedir votos, seja qual for a legenda, seja a atitude política mais adequada para produzir ideologia de transformação. Somos partidários do poder popular, de uma construção pela base com os processos de luta e organização popular, de mecanismos de democracia direta e federalismo, de um trabalho militante decidido a gerar capacidades políticas que gestam formas de autogoverno das massas em antagonismo ao poder constituído. Nem apolíticos, nem adeptos das velhas estruturas de representação burguesa, outra forma de fazer política. É essa nossa postura militante e é nesse sentido que empenharemos nossos esforços.

Ou se vota com os de cima ou se luta e se organiza com os de baixo!

Nossas urgências não cabem nas urnas!

Arriba lxs que luchan! Sempre!

 Federação Anarquista Gaúcha!

20 de setembro de 2014